Strogonoff de filé mignon, filé de frango recheado, risoto, rondeli ou lasanha. O que parece um menu de restaurante internacional é, na verdade, o cardápio de um hospital londrinense especializado em doenças cardiovasculares. A opção em adotar uma dieta alimentar mais próxima dos hábitos e desejos dos pacientes, como parte do tratamento, é resultado de uma pesquisa realizada com quase 700 internados em que descobriu-se que isso soma pontos valiosos na recuperação física e psicológica.
ô claro que tudo é devidamente balanceado e dosado, como explica Kátia Favoreto Nery, responsável pelo setor de nutrição do Hospital do Coração de Londrina, entidade que desenvolve esse trabalho de adequação alimentar. ''O nosso objetivo era acabar com o paradigma a respeito do gosto da comida hospitalar, que sempre serviu de sinônimo para uma alimentação insossa, sem tempero. O que fizemos foi mudar este quadro e aproximar a comida servida aqui a um cardápio com pratos que ganham a preferência de todos''.
''Eu posso?'' O menu incrementado está servindo de estímulo para os pacientes, que diante da variedade se sentem mais estimulados a comer. Kátia explica que para se chegar à dieta especial, e quase que individualizada, o serviço de nutrição realiza visita diária e acompanhamento de todos exames feitos pelo doente. ''Diante da conversa descobrimos o gosto do paciente e ''suas vontades'', e aí fazemos as adaptações: tem gente que não dispensa o arroz e o feijão, tem quem faça questão da carne como prato principal... e aí a nossa tarefa é compor, sempre de acordo também com as limitações prescritas pelo médico. O resultado é que a dieta sempre agrada e anima o paciente internado e em recuperação''.
A nutricionista conta que diante da opção de comer uma lasanha ou um strogonoff, a pergunta mais comum é: ''Mas eu posso?''. E a resposta positiva provoca satisfação, alegria e consequentemente faz com que a pessoa se alimente e se recupere melhor. ô importante ressaltar que o menu sofre adequações necessárias, mas que nem por isso o prato perde o sabor. O strogonoff, por exemplo, leva molho branco preparado com leite desnatado no lugar do creme de leite. O filé de frango, sempre grelhado, é recheado com legumes. O molho da lasanha é feito só com tomates, sem condimento. O rondeli é recheado com ricota. Tudo é preparado com óleo de milho, azeite e leva sempre muito cheiro verde, manjericão e outros temperos naturais.
A sopa é um caso à parte e é outro sinônimo de comida de doente. Kátia Nery conta que normalmente os paciente rejeitam a sopa, até que experimentam a receita dela, que sempre tem grade variedade de legumes, pode levar frango ou carne e tem caldo grosso e saboroso. ''O paciente que experimenta, sempre pede novamente no dia seguinte'', garante ela.
Menos sal e gordura A dieta semanal tem sempre carne, peixe ou frango, acompanhados de arroz com caldo de feijão ou purê, legumes servidos de várias formas e saladas. As massas também estão no cardápio pelo menos duas vezes por semana e normalmente ganham a preferência. ''Além de poder escolher, o paciente também recebe orientação no hospital. Ele e a família são orientados para seguir a dieta em casa. Como é uma dieta conhecida de todos, o que vai mudar mesmo é a forma de preparo: ela não vai ficar sem sal, vai ficar com menos sal, vai ficar com menos gordura; vai ficar sem creme de leite, mas terá o molho branco; vai ficar sem a massa de tomate, mas terá o tomate em fruta, e assim por diante.''
A sobremesa também ganhou opção de escolha: frutas da estação, compotas, mousses e várias opções na linha diet, para quem precisa evitar o açúcar. Segundo Kátia Nery, a recompensa deste trabalho personalizado fica por conta de ver a recuperação da pessoa internada, principalmente daquelas que passaram por cirurgia cardíaca, em que acontece grande ruptura de tecidos e muita perda de sangue. ''Este paciente que normalmente está debilitado e abalado com a situação, fica feliz e se sente mais perto de casa, se ao invés de uma 'comida de hospital' receber uma alimentação bem próxima da comida caseira''. Ela conta ainda que, em muitos casos, os pacientes pedem as receitas quando deixam o hospital e em função disso ela deixa à disposição um material que pode ser levado pra casa.
Tempero oriental Entre os pacientes internados nestes primeiros dez meses de funcionamento do Hospital do Coração, o setor de nutrição observou que boa parte era de origem japonesa e aí surgiu a idéia de um ''agrado'' com a introdução de pratos da cozinha oriental. A nutricionista conta aprendeu a preparar as receitas e fazer as adequações necessárias, sempre mantendo as características e o sabor típico de cada prato. ''Hoje servimos aqui o 'gohan', o 'okai-gohan', pratos à base de arroz, e o 'missohiru' à base de pasta de soja''.
Com esta iniciativa, segundo Kátia, os pacientes idosos se sentem reconfortados e mais tranquilos quando ficam sabendo que poderão comer de acordo com seus costumes. ''E a aceitação foi tão grande, que já acrescentamos ao cardápio o tofu e algumas raízes a pedido dos próprios pacientes e familiares.''
O trabalho desenvolvido pelo hospital é resultado de uma ação conjunta: médico, nutricionista e enfermeiros'', afirma Kátia Nery. ''A partir da compreensão da importância da alimentação na recuperação do doente, e através de um atendimento humanizado, temos conseguido quebrar os paradigmas a respeito da comida hospitalar, alcançando ótimos níveis de satisfação, contribuindo assim na recuperação do paciente'', argumenta n

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