Diet e light não são sinônimos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de julho de 2001
Jocelem Mastrodi Salgado 
É possível encontrar nas prateleiras dos supermercados uma infinidade de alimentos e bebidas com a palavras diet ou light: desde leites, iogurtes, pães, geléias, refrigerantes, requeijão, chocolates em geral, barras de cereais, panetones, tortas, etc. Entretanto, a grande maioria dos consumidores não sabe o que significam esses termos, ou faz confusão com eles, de forma que um passa a ser sinônimo do outro.
Além disso, as pessoas, geralmente, pouco se preocupam em saber o que cada um desses alimentos apresenta em sua composição, ou seja, não procuram se informar sobre o que o alimento contém de diferente. Às vezes, a diferença é tão insignificante que o investimento não vale a pena, pois comumente esses alimentos especiais são mais caros que os tradicionais.
Novo conceito Em 1988, os produtos diet e light foram enquadrados pelo Ministério da Saúde na categoria de alimentos especiais. Era uma legislação considerada inadequada, que gerava muita confusão tanto por parte dos fabricantes como por parte dos consumidores. Agora, esses alimentos têm nova legislação. E os produtos conhecidos como diet e light são conceituados e rotulados sob os mesmos parâmetros adotados nos Estados Unidos e na Europa.
Para facilitar a identificação pelo consumidor, os fabricantes têm que especificar o perfil do produto na embalagem e destacar a palavra light ou diet. Mas isso não quer dizer que o consumidor possa se sentir seguro, protegido. Embora existam bons produtos que realmente cumprem o que prometem nos rótulos e bulas, há ainda aqueles considerados pouco éticos, que visam tão somente o lucro, não se importando com a saúde do consumidor final.
O que é diet Quando a palavra diet está estampada no rótulo de um alimento ou bebida, significa que está totalmente ausente algum ingrediente, que pode ser açúcar, sal, gordura etc. Assim, produtos específicos para diabéticos não podem conter açúcar; para pessoas com problemas cardiovasculares, a restrição deve ser de gordura, e assim por diante...
Contudo, isso nem sempre quer dizer que ocorre uma redução nas calorias do produto em questão. É aí que muitas pessoas se enganam. Tomemos como exemplo os chocolates diet, onde todo o açúcar utilizado na sua fabricação é substituído por adoçantes. Geralmente, este tipo de alimento é desenvolvido para diabéticos, mas acaba sendo adquirido por pessoas que querem restringir as calorias de sua dieta.
A palavra diet no chocolate dá, muitas vezes, uma conotação de que ele é pouco calórico e isso acaba estimulando a compra daqueles que querem emagrecer ou manter a forma. Mas poucos sabem que a troca do açúcar por adoçantes no momento da fabricação modifica em grande parte a textura do alimento. Para conseguir a textura habitual, os fabricantes acabam adicionando mais gordura, o que faz com que o total de calorias do chocolate diet (535 calorias/100g) fique equivalente ao do não diet (565 calorias/100gramas). O consumidor mal informado paga mais caro por um alimento com as mesmas calorias da versão normal, embora não contenha sacarose.
O que é light Os alimentos considerados light são aqueles com baixo teor de determinados componentes (sódio, açúcares, gorduras, colesterol) e/ou calorias, ou seja, não são isentos, como os diet. Por isso, esses alimentos não têm como finalidade atender necessidades dietoterápicas, nem são indicados para dietas específicas.
Os alimentos são classificados como light quando houver uma redução de pelo menos 25% da quantidade de um determinado nutriente e/ou calorias em relação ao alimento tradicional. No caso de alimento sólido, no que se refere às calorias, o valor total da redução deve ser no mínimo de 40 calorias para cada 100g de alimento, para alimentos líquidos esse valor diminui para 20 calorias.
Assim como os diet, os alimentos light também podem provocar confusão. Por exemplo, existem certos adoçantes light que podem colocar em risco a saúde de pessoas diabéticas, pois contêm açúcares em sua composição. É fundamental também que o rótulo do alimento acuse o nutriente que foi visado pelo fabricante com o objetivo de tornar o alimento light, isto porque a utilização desse termo, por si só, não é suficiente para que o consumidor identifique o perfil do produto.
Comprar ou não comprar Diet, light, shakes, sugar free, fat free, slim, low.... O brasileiro tem uma atração toda especial pelo que está escrito em inglês e parece que isso dá ao produto uma confiabilidade especial. Contudo, diet e light não são garantia de saúde. Existe uma infinidade de alimentos cujos rótulos prometem maravilhas e que são, muitas vezes, pura enganação. Quantas vezes ouvimos certas propagandas no rádio, TV, jornais e revistas de alimentos e bebidas que prometem o impossível, comprometendo inclusive a saúde do consumidor desinformado.
A nossa recomendação para todos é que se leia atentamente os rótulos desses produtos, observando a composição, a quantidade de calorias que cada um tem, a quantidade de aditivos químicos etc. Só assim poderemos descobrir o que existe realmente dentro deles. Caso haja alguma dúvida a respeito de algum ingrediente, pergunte a um profissional habilitado a reconhecer os componentes da formulação (nutricionistas, tecnólogos de alimentos, químicos, médicos, farmacêuticos e afins). Além disso, procure consumir produtos de indústrias idôneas, éticas, que também se preocupam com seus consumidores. Cuidado com as fábricas de fundo de quintal.
Artificiais Sacarina, aspartame, ciclamato, steviosídeo, acessulfame-K, sucralose. Todos eles são edulcorantes, substâncias artificiais ou naturais muito mais doces do que o açúcar, responsáveis pelo sabor doce no adoçante. Geralmente adoçam o alimento com muito pouca ou nenhuma caloria e exercem um papel importante já que são muito utilizados na fabricação de alimentos diet ou light. Embora indicados inicialmente para pessoas obesas ou diabéticas, observa-se hoje que estão presentes em mesas de pessoas que querem manter sua forma física ou estão preocupadas em abandonar ou restringir o nível calórico de sua alimentação.
Entretanto, assim como o excesso de açúcar não faz bem para nossa saúde, adoçante tampouco. Por isso, é recomendável que, a menos que exista um problema de saúde (diabetes, por exemplo), é preferível ingerir pouco açúcar a grandes quantidades de adoçante. Não é porque o produto é diet ou light que pode ser ingerido em quantidades maiores. Lembre-se sempre que os adoçantes são substâncias químicas.
Alimentos light nos quais a quantidade de gordura foi reduzida são muito melhores para sua saúde do que os tradicionais. Leites, iogurtes, requeijão, queijos, maioneses, creme de leite, batatas fritas, pipocas com teores mais baixos de gordura devem ser preferidos àqueles tradicionais. Mesmo porque, geralmente, esses alimentos acabam apresentando uma concentração maior de outros nutrientes importantes para nossa saúde. É o caso do cálcio em leite e derivados que, geralmente, se apresenta em maiores quantidades nos produtos light.
Mas lembre-se sempre: não é porque esses alimentos contêm teores menores de gordura que você vai sair comendo como um louco. Maionese, creme de leite, batatas e pipocas, por exemplo, não devem ser consumidos diariamente. - Refrigerantes e sucos diet ou light devem ser consumidos com moderação, principalmente os em pó, que são misturas químicas. Não se esqueça que você estará trazendo inúmeros benefícios à sua saúde cada vez que trocar um copo dessas bebidas por um copo de suco natural, rico em nutrientes importantes para o seu organismo. Para geléias, chocolates, gelatinas, doces em geral considerados diet, vale a mesma dica dos adoçantes.
Quando o assunto é diet ou light a dica é usar sempre o bom senso.
Serviço
A nutricionista Jocelem Mastrodi Salgado é professora titular de Nutrição da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz-USP.


