Irritabilidade, depressão, distenção abdominal, sensação de infelicidade e uma enxaqueca que não passa. Agressividade, dizer o que não se pretendia, sentir medo das próprias reações. Esses sentimentos são compartilhados por Maria Oliveira Carneiro, 39 anos, e por uma médica ginecologista, 46 anos, que preferiu não se identificar.
Maria conta que tinha a sensação de passar vinte dias construindo um ninho com todo amor e carinho e que em dez dias tudo era destruído por ela mesma. ''Eu passei a ter medo das minhas reações. A gente acaba atacando os que estão mais próximos, filhos, marido, e depois vem o sentimento de culpa'', explica. A ginecologista diz que, além dos sintomas, é preciso passar o tempo todo se controlando, se policiando para não prejudicar o trabalho. ''Você tem a sensação de que não é você mesma. A gente e as pessoas que estão a nossa volta se cansam.''
Esses são alguns dos sintomas de TPM, sigla que virou título de revista e motivo de piada, mas que representa um verdadeiro sofrimento para as mulheres que têm a Tensão Pré-Menstrual. A médica ginecologista e homeopata Magda Garcia Lopes Paiva explica que para caracterizar se uma paciente tem TPM, os sintomas psicossomáticos (físicos e psicológicos) precisam se repetir nos dias anteriores à menstrução e diminuir no início dela por, pelo menos, três meses.
Segundo Magda, as causas da síndrome ainda são desconhecidas, apesar de haver relatos de TPM em papiros no Egito, e Hipócrates, pai da medicina, relatar alguns dos sintomas em seus estudos. A TPM poderia ser causada por desequilíbrio hormonal, substâncias neurológicas, por exemplo, a serotonina, e fatores nutricionais. ''O que se sabe de mais concreto é que o stress físico e mental incrementa a TPM'', disse.
Tratamento A médica explica que trabalhos de pesquisa demonstram que 2,5% das mulheres sofrem com a TPM, mas os sintomas e a intensidade variam. De acordo com ela, é mais frequente ocorrer entre os 30 e 40 anos, em mulheres que têm o ciclo normal, ou seja, não tomam anticoncepcional, e na mulher que trabalha fora. Os sintomas podem ocorrer de três a dez dias antes da menstruação e cessam assim que a mulher menstrua.
Magda diz que o primeiro passo para o tratamento é esclarecer a mulher sobre a TPM. ''A conversa já é terapêutica. Entender melhor o que ela tem e que outras mulheres também sofrem com o problema ajuda'', afirma. Para a médica, o tratamento deve ser individualizado por causa dos sintomas e da intensidade. É indicado restringir alguns alimentos e bebidas, como doces, chocolates, sal, chá preto, café e bebidas à base de cola (Coca, Pepsi) 10 dias antes da menstruação. Atividades físicas aeróbicas (bicicleta, caminhada, natacção, hidro e ginástica) ajudam a diminuir os sintomas. Em casos mais severos, são utilizados medicamentos.
A ginecologista explica que tem conseguido bons resultados com o tratamento homeopático da TPM. ''A homeopatia vê o doente como um todo. A doença é um desequilíbrio da pessoa e a homeopatia tenta reestabelecer o equilíbrio. O remédio é elaborado para cada paciente, por isso, a eficiência é maior'', explica.
Maria e a ginecologista estão bem melhor após o início do tratamento. ''Estou usando a homeopatia há cinco meses e já tenho obtido resultados'', inclusive com diminuição da dose do medicamento'', conta Maria. A ginecologista, além do remédio, também faz exercícios físicos. As duas afirmam que, conhecendo o problema, procuram se controlar mais, o que também ajuda a enfrentá-lo. n

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