Diário de uma aluna de gastronomia
Balança, termômetro e formas
Decidimos, eu e minha prima que também é estudante de gastronomia, que nossa vocação é doce e que vamos juntar nossos dotes para ganhar algum dinheiro, quem sabe. Reunindo uns trocados que temos, fomos pesquisar utensílios de cozinha pelas ruas de Londrina e chegamos em casa com uma sacola cheia de novidades.
Sentamos no sofá para decidir o cardápio, os ingredientes, o que já tínhamos e o que precisaríamos comprar; como nos organizaríamos para preparar as delícias, entre outros pormenores do nosso micro negócio. Na mesma semana, teve um feriado e na semana seguinte precisei viajar a trabalho. Ou seja, nada de experimentar nossas novas aquisições, que estavam pegando poeira no armário.
Final do Paulistão
Pois no domingo da final do Paulistão, depois de sofrer com o Verdão perdendo para o Santos, resolvemos ir para a cozinha e lavar a alma preparando doces. Fizemos cupcakes de baunilha, com recheio de limão e cobertura de merengue suíço. Uma receita do site I could kill for desert da doceira Dani Noce, que já foi entrevistada na Folha da Sexta quando do lançamento de seu livro. Suas receitas são minhas amigas e gourmetizaram meus feitos culinários. Foi com ela que aprendi a usar cream cheese em preparações doces. E a adorar a combinação.
Pois lavamos nossas forminhas novas, bicos de confeitar, pesamos tudo na balança que até outro dia não tínhamos e usamos o termômetro para preparar a calda do merengue. Estávamos felizes em estrear nossos companheiros de trabalho.
Depois de duas horas no fogão - deixando a cozinha limpinha como estava antes - tínhamos 18 cupcakes para devorar. Só demos conta de um cada uma, claro. No dia seguinte, levei alguns para os amigos do jornal experimentarem e foi só elogios. Ficamos extasiadas.
Redes sociais
Claro que coloquei uma foto da nossa simples produção nas redes sociais. Claro que recebemos vários elogios. Mas o mais surpreendente foi o pedido de um amigo que queria pagar pelo nosso doce. Seu gesto me fez acreditar que estamos no caminho certo. Para agradecê-lo, preparamos para ele cupcakes fresquinhos e um punhado de bolachas amanteigadas, aquelas que aprendi na primeira aula de confeitaria da professora Erika. Colocamos tudo numa caixinha branca, que enfeitamos com uma fita verde, nossa marca registrada. Daqui para a frente, é testar novas receitas e ajustar o sonho à nossa realidade - meu trabalho e a faculdade da prima. E se a gente puder se lambuzar de chocolate, vai ficar melhor ainda.
Mariana Guerin é jornalista na FOLHA





