Doce e crocante
Não sei ao certo quando foi a primeira vez que comi crostoli, só me lembro que em todo Carnaval na casa das tias, no interior, tinha baciadas de uma massinha doce e crocante que tornava qualquer café da tarde especial. Conforme fomos crescendo, eu, minha irmã e minhas primas trocamos as pedaladas pela cidade por uma tarde ajudando as tias na preparação da bolachinha. E assim foi criado nosso ritual carnavalesco familiar.
Tarde de domingo, depois da macarronada, a tia junta os ingredientes da massa – leite, ovos, açúcar, manteiga, pinga, raspas de laranja e farinha até dar ponto – amassa bem até a mistura ficar bem homogênea e prepara o cilindro. Farinha à vontade e gira a manivela daqui, puxa a massa dali até ficar fininha, fininha. Depois, estica as massas sobre toalhas na mesa da sala de jantar, da cozinha, na cama da tia...e a meninada começa a dar forma à bolachinha. Cortamos diversos retângulos e com a faca fazemos dois risquinhos em cada um deles, para deixar o vapor escapar quando a massa é frita. É uma tarde inteira de trabalho que conta com o talento do tio na fritadeira. Outra tia açucara o crostoli pronto, que enche dezenas de bacias.

Imagem ilustrativa da imagem Diário de uma aluna de Gastronomia



Roubando um
O tio que vem do sítio buscar o lanche da tarde de colheita, corre lavar a mão e rouba um crostoli, antes de levar algumas bolachinhas para o primo que ficou na colheitadeira. E nós ficamos em volta da fritadeira, roubando um crostoli aqui, outro ali, enquanto ajudamos as tias a separar um pouquinho para cada família. Recolhidas as toalhas, lavada a louça, limpo o chão enfarinhado e açucarado, nos espalhamos pela casa da tia para experimentar a delícia, acompanhada de um café fresquinho ou refrigerante bem gelado. Se o crostoli dura até a Quarta-feira de Cinzas, as tias costumam presentar a sobrinhada com um saquinho cheio. Eu sempre garanto o meu.

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Tradição
Este ano resolvi fotografar a bagunça na casa da tia, seguindo passo a passo a receita. E, como sempre, ajudei a cortar os crostolis e até fiz uns nozinhos na massa inspirados na receita da vó materna. Eles ficaram parecidos com a cueca virada, a prima brasileira do crostoli italiano. Dessa vez também fiz bolinhas com a massa só para me deliciar, pois gosto da bolachinha mais gorducha. Para as tias, um sacrilégio, pois quanto mais crocante, mais original é a receita. E como o assunto é tradição, aprendi que é melhor respeitar a experiência das cozinheiras da família para garantir que nossa união em torno da mesa se perpetue por muitos outros carnavais.



Cilindrando e fritando

Para deixar qualquer café da tarde especial, basta misturar ingredientes simples a elementos aromáticos. O resultado são bolinhos práticos e deliciosos, como os de antigamente

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Crostoli
Ingredientes- 4 ovos inteiros- 1 xícara de chá de leite- 2 colheres de sopa rasas de manteiga- 8 colheres de sopa de açúcar- 2 colheres de sopa de raspas de limão e laranja- 1 colher de café de baunilha- 1 colher de sopa de fermento químico- 1 xícara de chá de pinga- Quanto baste de farinha de trigo - Óleo o suficiente para fritar a massa por imersãoModo de preparo1) Misturar bem os ovos, o açúcar e a manteiga.2) Em seguida, acrescentar a baunilha e as raspas de limão e laranja. Despejar o leite e misturar bem.3) Adicionar a pinga e o fermento.4) Por último, ir adicionando a farinha aos poucos, sovando a massa até dar ponto de abrir. Deixar descansar por pelo menos meia hora.5) Cilindrar a massa até ficar bem fina.6) Se não tiver cilindro, pode abrir a massa com o rolo de massa o mais fino que conseguir.7) Estender a massa sobre uma toalha e cortar pequenos retângulos.8) Fazer um ou dois cortes nos retângulos para que o vapor escape.9) Fritar os crostolis em óleo bem quente até dourarem.



Fonte: receita da família da dona de casa Antonia Mondin.

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