Diabetes infantil aparece em silêncio
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quinta-feira, 13 de março de 2008
Da Editoria 
Cerca de 10% da população brasileira sofre de diabetes. A doença ocorre em duas formas básicas: o tipo 1, que afeta crianças e adolescentes e representa entre 5% e 10% do total dos portadores do problema, e o tipo 2, mais comum, que atinge adultos. Em geral, essa segunda modalidade afeta pessoas com mais de 40 anos. Embora não existam estatísticas que revelem a incidência exata, nos últimos anos os especialistas têm observado que a doença afeta cada vez mais, crianças e adolescentes.
Segundo endocrinologista pediátrico do Hospital e Maternidade São Luiz, Luiz Eduardo Calliari, de São Paulo, nos últimos cinco anos, crianças com idade a partir de 10 anos manifestaram diabete do tipo 2. ''Nos Estados Unidos, esse índice é absurdo, há um maior número de crianças obesas, o que contribui com a incidência do problema. Embora essa doença seja decorrente de herança genética, a obesidade aumenta a resistência à insulina - o hormônio que abre as portas das células para a glicose entrar, ou seja, o açúcar sobra no sangue e aí vem o diabetes'', explica.
Como detectar
Se a criança passa a beber muita água e faz xixi em demasia, esses sintomas não podem passar desapercebidos. ''Quando a criança tem por volta de cinco anos, os pais devem valorizar esses indícios. A perda excessiva de peso também é um sinal. O diabetes manifesta-se em silêncio'', alerta o endrocrinologista. Alguns exames são necessários para confirmar a presença da doença.
O tratamento não é difícil. A criança precisa de uma dieta rica em fibras e pobre em açúcar, com seis refeições ao dia. Para o controle diário do diabetes, os pais contam com o auxílio do glicocímetro. O aparelho faz a leitura e registra, no visor, o valor da glicemia - a quantia de glicose no sangue.
''Com uma picadinha na ponta do dedo, a criança molha com o sangue uma fitinha que é colocada no aparelho. Essa medida ajusta as doses necessárias de insulina. O controle é feito em média de duas a quatro vezes ao dia, dependendo do estágio da doença'', explica Eduardo Calliari
''No Brasil, ainda não registramos um índice alarmante. Podemos atingir altos índices se os maus hábitos alimentares, que crescem a cada dia, persistirem'', alerta o especialista.
Complicações
Como toda doença, a diabete infantil também pode apresentar complicações. Dentre elas, há o problema agudo, que é a variação de glicemia. ''A hiperglicemia - elevação da taxa de glicose no sangue -, leva a criança a uma vontade absurda de beber água. Já a hipoglicemia - queda da taxa de glicose no sangue -, que geralmente se apresenta em crianças superativas que queimam a glicose em demasia, causa tremores, deixa as mãos geladas e suadas e provoca confusão mental, mesmo durante o tratamento'', explica o endocrinoligista.
As complicações crônicas estão ligadas à glicemia alta. ''O paciente pode ter retinopatia progressiva (infecção na retina, globo ocular, que pode levar a cegueira) e apresentar também uma lesão que se manifesta de forma gradativa no rim. Além de pressão elevada, dor e sensibilidade nos pontos periféricos'', completa Calliari. (www.saoluiz.com.br).
Os vilões
Evite
- embutidos (presunto, salsicha, etc)
- milho enlatado
- ervilha enlatada
- adoçante de sacarina e ciclamato
- molho de tomate enlatado
- margarina, com ou sem sal
- refrigerantes ou sucos de pacote
- sopa pronta
- sal, shoyu, sal light, caldos prontos
Prefira
- carnes frescas
- milho cozido
- ervilha congelada ou fresca
- adoçante de aspartame ou Stevia
- molho de tomate caseiro
- azeite de oliva
- sucos naturais ou de polpa congelada
- sopa feita na hora
- limão, alho, salsa e outros temperos


