Diabetes gestacional: riscos para mãe e filho
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quinta-feira, 04 de setembro de 2008
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Seguindo a máxima de que ''prevenir é melhor do que remediar'', a médica endocrinologista Renata Dinardi Borges Liboni ressalta a importância de um diagnóstico precoce, principalmente quando se trata de um assunto que ainda é pouco conhecido entres as mulheres: a diabetes gestacional.
No Brasil, estima-se que cerca de 7% das gestantes são portadoras de diabetes, que consiste em um problema metabólico causado por deficiência de insulina, em que a utilização de carboidratos é reduzida e a de lipídeos e proteínas, aumentada.
A diabetes gestacional ocorre em grávidas porque a placenta produz hormônios que aumentam a glicemia e exigem uma maior produção de insulina pelo pâncreas. Quando o problema não é tratado, pode haver descompensação e a insulina não consegue combater o açúcar de maneira adequada, desencandeando a doença. ''Os riscos são praticamente os mesmos para as mulheres que já são diabéticas e engravidam e as que desenvolvem a doença durante a gestação'', afirma.
Se não for tratada, a diabetes gestacional pode ocasionar graves riscos à mãe, podendo incitar um parto prematuro e apresentar sérios quadros de hipertensão. Já no bebê, as consequências podem ser ainda maiores. ''Obesidade, atraso no maturação do pulmão, dificuldade respiratória, hipoglicemia e até convulsões que podem levar à morte'', aponta.
De acordo com a especialista, a falta de conhecimento sobre o assunto é justificada por se tratar de uma doença que ocorre em sua maioria em gestações normais, não apresenta os sintomas clássicos da diabetes e, geralmente, só é possível diagnosticá-la na 24 semana de gestação.
''No primeiro mês de gestação é realizado um exame de glicemia. Se a mãe apresentar uma alteração de glicose, é porque ela já é diabética. Agora, se nada for constatado, é preciso realizar exames periódicos'', diz.
Um dos métodos de diagnóstico de diabetes na gestação é através do rastreamento com a glicose em jejum acima de 85 miligramas por decilitro com posterior teste de sobrecarga (2 horas após) acima de 140mg/dl, o que confirma o diagnóstico.
O tratamento consiste em dieta balanceada, com o uso de adoçante artificial, redução de massas e gorduras, consumo de frutas e legumes. ''Dependendo do caso, o médico também pode recomendar a aplicação de insulina e a prática de atividade física'', explica Renata.
Segundo a médica, as mulheres mais propensas a desenvolver a diabetes gestacional são aquelas com idade acima de 25 anos, peso excessivo tanto antes ou durante a gestação e portadoras de ovários policísticos. ''O importante é que as mulheres tenham conhecimento sobre os benefícios de um diagnóstico precoce através do pré-natal. Assim, se a diabetes for tratada corretamente, os riscos para a mãe e o bebê ficam bem reduzidos'', indica. Outro detalhe que vale lembrar é que a diabetes gestacional é uma situação que na maioria dos casos regride após a gestação.


