Toda uma geração de garotas está aprendendo a agir como ''homens'', ficar e não ligar no dia seguinte, contar detalhes do que se passou para deleite ou reprovação das amigas, provar o saborzinho de quantas bocas quiser só por diversão, turbinar a agenda com rolos e ''ficantes'' para eventualidades e ainda trair assumir e dizer que a carne é que foi fraca.
Luana Piovani, uma das atrizes mais bonitas do momento até parecia uma mocinha casadoira, namorou firme um dos galãs mais cobiçados do País, mas nem toda a beleza de Rodrigo Santoro segurou o facho dela. Ela traiu, o Brasil inteiro viu, e engrenou um namoro com o empresário baiano Cristiano Rangel, outro saradão com quem ficou outro bocado de tempo. Mas o espírito da moça pede liberdade...
A lista de conquistas de Luana cresce na mesma medida que sua fama de devoradora de corações masculinos. Em entrevista ao Fantástico, ela contou que já levou uns foras, mas tem consciência de sua beleza e de sua sensualidade. ''Adoro beijo na boca'', confessa a musa, que usa todos os atributos que a natureza lhe deu na hora de partir para novas conquistas mas não hesita em descartá-las com a mesma desenvoltura.
Que o diga Paulinho Vilhena, com quem trocou uns beijos ardentes e depois deixou sozinho na praia, de prancha na mão. Tudo bem que ele foi rapidamente fisgado pela Maryeva da gotinha de suor, a ex do Guga que, na época, ainda não era ex. Uma atitude assim... bem Luana.
Na onda ''Não faço nenhum esforço para ser assim com os caras, é natural'', admite Vanessa Manzano, 25 anos e dois pés atrás com os rapazes. Vanessa também namorou sério, chegou a ficar noiva, mas desistiu de tratar os meninos bem. ''Eles só querem sair uma noite, então prefiro não me apegar. Não ligo se o cara não liga, a fila anda'', diverte-se.
Ela trabalha na noite, como hostess do Na Mata Café, um bar/restaurante paulistano descolado, e acha que isso aumenta o assédio. Só que ela prefere conquistar a ser conquistada. ''Gosto quando olho para um cara e ele nem me vê. Melhor ainda quando fica esnobando. Insisto, fico encarando, e no final ele se rende... Não admito que ele não olhe para mim. Mas isso vai até conquistar, aí não quero mais... Estou me sentindo um homem'', brinca a garota.
Os rapazes ficam com medo de tanto desprezo. ''Quando percebem que não estou nem aí, tentam me deixar apaixonada, ligam direto, mandam flores. Mas não adianta, quanto mais a gente dá patada, mais eles gostam...''. Um rolo nunca vem sozinho. Estar com vários ''ficantes'' ao mesmo tempo faz parte da cartilha das Luanas. ''Juro que estou querendo mudar minha cabeça, e nas duas últimas semanas estou me enrolando só com um, mas não sei quanto vai durar''.
Com os 'rolos', os encontros são sempre nas baladas, em boates ou clubes, no máximo um jantarzinho. Namorado não. ''Namoro é dar satisfação, dormir na casa dele, apresentar para família, até cair na rotina e ficar uma chatice''.
Ao contrário de Luana, a original, Vanessa não vê muita vantagem em rapazes saradões ou famosos. ''Homem bonito dá muito trabalho... Prefiro uns tipos mais comuns'', avisa, apesar de ter no currículo pelo menos três rolos tipo celebridade. Orgulhosa de seu jeitinho lépido de ser, Vanessa diz que ensinou pelo menos duas amigas a agirem da mesma forma. ''É bom ser assim pois a gente não sofre.''
Uma das ''alunas'' de Vanessa, Telma Rodrigues, aprendeu bem as lições. ''A gente sofre menos quando não se envolve'', repete a discípula aplicada. Para ela, homem não quer carinho. ''Me dei muito melhor não ligando para eles, usando e jogando fora.''
Telma namorou bastante tempo, quase cinco anos, e arrumar vários rolos foi a melhor maneira de deixar essa fase no passado. Fidelidade? ''Até existe, se o cara merecer. Mas a maioria não merece...''
Neste momento, Telma está tentando sossegar. Há três meses mantém um relacionamento e jura que é fiel. ''Até agora, ele não me deu motivo para não ser'', avisa. Sobre o risco de cair na boca do povo por conta do rodízio de rolos, ela admite que a mulher sofre mais com o preconceito.
''A Luana vive a vida, mas sem dúvida se faz qualquer besteirinha é acusada de vagabunda. Já o homem é garanhão'', compara. ''O jeito é fazer bem-feito, para um não descobrir o outro.'' n
Entre amigas
Na ressaca de um casamento de seis anos, Valéria (que prefere não revelar o sobrenome) tornou sua vida pessoal prioridade absoluta e tratou de reconquistar amigos, fazer viagens e frequentar festas que haviam ficado sem lugar na sua agenda de casada. Mas os namorados continuaram sem espaço.
Em vez de alguém para sair de mãos dadas, ir ao cinema, tomar sorvete e conversar, apenas ''ficantes'' e casos isolados, sem compromisso. ''Sou difícil de me apegar''.
Com os rolos, o programa é sair para dançar e ir a lugares que não comprometem, onde não exista o risco de encontrar muita gente conhecida. A referência do ex-marido, no seu caso, também era empecilho. ''Sempre procurava nos outros as virtudes dele e não achava, é claro''.
A publicitária resolveu dar uma chance a um pretendente com quem já está há algumas semanas. E teve seu primeiro fim de semana longe das baladas. Até quando? Ninguém sabe, nem ela...
Virar Luana, na opinião da administradora de empresas Natasha (que pede para manter o anonimato), é uma questão de ser realista. ''Eu acho que a gente não tem mais aquela ilusão de princesa, de homem ideal. Prefiro aproveitar a vida.''
Aos 29 anos, ela tem certeza de que não precisa de alguém para casar. ''Prefiro me divertir em vez de esperar um príncipe.'' Tradução: paquerar, ficar de ligar para o mocinho e não ligar, dar o telefone errado e até entregar o 'pretendente' para alguma amiga. ''Teve um caso que eu repassei'', diz como o mais cafajeste dos machistas. Natasha se desinteressou pelo rapaz, o deixou esperando em um jantar, e acabou apresentando o cara a uma amiga. ''Eles estão tendo um caso, mas nada firme.''
Ela tem, como boa Luana, pelo menos uns dois 'ficantes' para emergências. ''Tem aqueles que é só ligar que sempre tem um espacinho, mas não há compromisso. Duro é tentar não se envolver.'' O truque? Se manter distante. ''Quando pinta uma dúvida, tipo ligo, não ligo, o coração começa a disparar, a solução é ligar para o próximo da lista. A saída é variar''. Entenderam?
(D.B.)

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