Uma das características para definir os bons vinhos é o nariz. O aroma da bebida, às vezes, é classificado de maneira inusitada: segundo os especialistas, um belo rótulo pode exalar notas de amêndoa, madeira e até sela de cavalo. Pois o buquê do vinho Malbec foi parar num frasco de perfume. E mais do que isso, até o processo de fermentação da fragrância masculina é semelhante ao que ocorre nas vinícolas argentinas.
  O Boticário, produtor do perfume Malbec, montou em sua fábrica em São José dos Pinhais, uma espécie de destilaria onde barris de carvalho franceses maceram o álcool vínico a partir do qual é feito o perfume. Daí em diante, o processo obedece aos passos normais da perfumaria. Para elaborá-lo, a empresa contou com um enólogo, além do perfumista Napoleão Bastos Júnior, que acrescentou notas de ameixa e baunilha à essência. ‘‘Mas o álcool obtido das uvas não é o único ingrediente que une vinho e perfume. Graças à tecnologia, foi possível obter sinteticamente um odor bastante semelhante ao que sentimos ao abrir uma garrafa de vinho. O Living Malbec é esse componente’’, explica ele.
  Outra técnica utilizada por empresas de perfumaria – no ano passado a Natura lançou um perfume obtido a partir do aroma captado no ar em torno de uma flor conhecida como breu-branco, da Amazônia, que consiste na aspiração de moléculas de ar impregnadas com o perfume e na decomposição em laboratório.   Segundo Rodolfo Melo, diretor de marketing da Natura, o aroma foi criado para atender a homens que fujam do estereótipo de machão. São homens fortes e delicados ao mesmo tempo. Apreciam vinhos, charutos e gastronomia. Estão preocupados com sua aparência. É o metrossexual.

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