Desperte o gênio em você
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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
Herika Fondazzi<br>Reportagem Local 
Até um tempo atrás, acreditava-se que a inteligência era algo como um dom divino: a pessoa nascia com ou sem, dependendo de sua sorte. No máximo era possível melhorar a capacidade já herdada ou disfarçar as limitações intelectuais com bom humor e simpatia.
Mas estudos mostram que um QI (quociente de inteligência) elevado depende muito mais do trabalho de cada um do que da genética. ''É um preconceito dizer que os gênios nascem gênios. Sabemos que existe um fator genético mas sabemos também que o conhecimento adquirido é bem mais determinante. Filhos de pais inteligentes são igualmente inteligentes, mesmo que sejam adotivos. Essa é uma prova de que o meio tem uma grande influência'', garante o professor de física Pier Luigi Piazzi, membro de uma sociedade internacional para pessoas de alto QI, a Mensa.
Ele mora em São Paulo e esteve em Londrina para fazer palestras para pais e alunos do Colégio Universitário. Para os estudantes, Piazzi falou sobre a capacidade que todos temos de aprender inteligência. ''Todos nós temos um gênio dentro de nossa cabeça. Cientistas dizem que nosso cérebro tem a capacidade de cerca de cinco mil computadores ligados em rede. O que muda de pessoa para pessoa é a maneira como usamos tudo isso'', diz.
De acordo com Piazzi, a escola brasileira e o método de ensino adotado não desenvolvem toda a potencialidade dos alunos. ''O grande dever da escola é ensinar a inteligência. O que vemos hoje são professores que passam conhecimento de forma que o aluno acaba ficando dependente do mestre. Só se transforma em gênio quem aprende a ser autodidata. Digo que um ótimo professor é aquele que inspira seus alunos e depois se torna dispensável. Na faculdade de Física, eu era um aluno que faltava muito às aulas, mas tirava ótimas notas. Eu sabia estudar em casa, sozinho'', garante.
Embora seja algo novo e quase inacreditável, as dicas que o professor dá aos alunos são acessíveis para qualquer um. O primeiro, segundo ele, é estudar todos os dias e não apenas quando se vai fazer uma prova. ''Existe um ditado chinês que diz que aquilo que eu ouço, eu esqueço, aquilo que eu vejo, eu entendo e aquilo que eu faço eu aprendo. Para aprender algo é fundamental fazer por si só. Depois da aula, o aluno precisa rever a matéria dada em casa. E isso tem que ser todo dia para não acumular conteúdo. Meu lema é: aula dada, aula estudada. Com o tempo isso se torna um hábito prazeroso, porque aprender é bom'', ensina.
A hora de estudar e o tempo gasto com isso também são importantes para garantir que a aula será gravada pelo aluno. Estudar logo depois da aula, para Piazzi, é a melhor opção. ''O aluno pode até almoçar e descansar primeiro, mas nunca dormir por horas antes de estudar. Quando dormimos nosso cérebro joga muita informação fora. Se estudamos antes, colocamos as informações em um local mais seguro e diminuímos muito o risco de perder aquilo que vimos. Estudar por horas a fio também não adianta. O cérebro pára de produzir uma enzima importante para o aprendizado depois de 40 minutos de estudo. Estudar meia hora, descansar por 10 minutos e voltar a estudar é o ideal'', afirma.
E durante o descanso, nada de TV, videogame ou computador. Piazzi aconselha a andar um pouco, relaxar em uma cadeira. ''Digo que crianças multimídia são grandes candidatos a se tornarem crianças multi-idiotas. A televisão é extramamente nociva por que a pessoa fica hipnotizada, sem raciocínio. O video game faz a mesma coisa e uma pesquisa feita com jovens europeus mostrou que o MSN (programa de mensagens instantâneas) tem a capacidade de diminuir o QI das pessoas. Não digo que não pode usar, mas sim com cautela, sem exageros e nunca durante o estudo'', aconselha.
O único eletrônico permitido na escrivaninha é o rádio, desde que a música escolhida seja instrumental. ''Dizem que pessoas que ouvem Mozart são mais inteligentes, mas não precisa ser música clássica. Se o estudante prefere rock, pode ser, desde que sem voz cantada em uma língua que ele não entenda. Isso porque a letra é captada pelo mesmo lado do cérebro que recebe as informações do estudo, causando uma confusão e atrapalhando tudo'', explica.
Para quem gosta de ficar até tarde acordado na frente da TV ou computador, o professor lembra do problema que isso representa para o estudo. ''As informações são guardadas no cérebro durante o sono profundo. Por isso dormir bem à noite é muito importante para não esquecer aquilo que foi estudado durante o dia. Jovens que dormem menos de oito horas por noite estão em risco de não aprenderem nada'', alerta.
Por último e, segundo Piazzi, o mais importante conselho para quem pretende ter um cérebro privilegiado, é que a leitura é fundamental. Ele diz que pode ser qualquer tipo de leitura, de livros clássicos a revistas de fofoca. ''Não importa o que a pessoa lê, mas o trabalho que o cérebro tem para processar a informação. Quem não lê pelo menos dois livros por mês é um bom candidato ao fracasso. A leitura aumenta o QI'', diz.
Duvida que o método funcione? Piazzi é um bom exemplo que as dicas podem, sim, dar resultado. No primeiro teste de QI realizado por ele, quando tinha 26 anos, o resultado foi de 132 (o normal é 100 e acima de 120 a pessoa é considerada excepcional). Depois da faculdade de física e, segundo ele, cerca de mil livros lidos, o novo teste resulta em incríveis 184 pontos.


