Desordem respiratória
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005
Da Editoria 
Doenças como bronquite, asma, enfisema pulmonar e pneumonia são bastante conhecidas da população. Mas poucos conhecem a Doença Pulmonar Obstrutitva Crônica (DPOC), que atinge cerca de sete milhões de brasileiros e compromete a qualidade de vida do paciente, principalmente pela falta de ar que a doença ocasiona, limitando a realização de várias atividades cotidianas.
Pouco comentada no Brasil, a doença é uma desordem respiratória que se caracteriza pela limitação crônica e progressiva do fluxo de ar nas vias respiratórias, falta de ar (dispnéia), tosse, diminuição de resistência física e aumento da produção de catarro. ''É uma doença de caráter progressivo, uma associação de enfisema pulmonar e bronquite que limita muito a vida da pessoa. Em casos mais graves, o paciente não consegue nem tomar banho por causa da fadiga'', explica o pneumologista Denison Freire.
Ranking Segundo ele, a DPOC está no 5º lugar nas causas de morte no Brasil, sendo responsável pela internação de 290 mil pacientes por ano. ''Apenas no ano de 2003 foram gastos R$ 72 milhões com o tratamento da doença'', garante. O problema se agrava devido ao fato de muitas pessoas não procurarem tratamento na fase inicial. Estima-se que atualmente somente 250 mil brasileiros estão diagnosticados. ''As pessoas imaginam que as tosses frequentes e os problemas de falta de ar sejam doenças mais simples. O paciente só se preocupa quando começa a se sentir falta de ar para tudo. Aí a DPOC já está em estágio mais avançado'', alerta o especialista.
Nesses casos, o paciente chega a ter dificuldade para se alimentar, caminhar e até conversar. ''O problema atinge atividades rotineiras e o indivíduo passa a depender de familiares, por exemplo, para exercê-las'', explica o médico José Roberto Jardim, professor de Pneumologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifest). A DPOC também ocasiona perda de dias de trabalho ao paciente, pela falta de resistência física. Depressão, ansiedade e falta de esperança também são comuns em pacientes com a doença.
De acordo com Freire, pessoas com mais de 40 anos, na maioria homens, fumantes ou pessoas que se expõem à fumaça em locais fechados, como em atividades com fogões e aquecedores à lenha ou carvão, são as mais atingidas pela DPOC. ''O cigarro é o maior vilão para o surgimento da doença, mas fumantes passivos também correm risco. Cerca de 15% dos fumantes desenvolvem a doença.''
Diagnóstico Os sintomas da DPOC são frequentemente diagnosticados de forma genérica como bronquite, asma ou enfisema pulmonar. A espirometria, exame que mede o volume do fluxo pulmonar, é o método mais acurado para diagnóstico da DPOC. Entretanto é necessário que o médico esteja atento aos sinais clínicos da doença que são, principalmente, a falta de ar persistente que acontece em fumantes crônicos. ''O exame ajuda a determinar o grau da doença e o tipo de tratamento ideal para cada caso'', afirma Freire.
Atualmente, de acordo com o médico, não existe cura para a doença, mas sim um tratamento específico para os sintomas. As drogas mais utilizadas para o alívio são os broncodilatadores e corticóides. ''Junto a elas, as pessoas precisam de fisioterapia respiratória, para melhorar a musculatura, utilização de tubos e máscaras de oxigênio durante algumas horas por diz para melhorar a oxigenação e, principalmente, a pausa no tabagismo'', diz.
Uma das consequências da DPOC são as internações frequentes causadas por episódios agudos de piora, geralmente relacionados a infecções, chamados de exacerbações. Por esta razão, a DPOC tem forte impacto de custos de saúde para o governo, uma vez que o principal custo de seu tratamento está relacionado à necessidade de internações frequentes. Outros sinais de que é necessário procurar um médico, além do tosse e fadiga constantes, são a coloração amarela ou verde no catarro. (Colaborou Herika Fondazzi)


