Design tipo exportação
Rosângela Vale
Atração à parte durante o MorumbiFashion, o Studio Arezzo vem redirecionando o foco das atenções. E fazendo com que a moda possa ser contemplada, com prazer, da cabeça aos pés. Há cinco edições, a parceria da empresa mineira de sapatos com os principais estilistas brasileiros é sinônimo de sucesso. Tanto que já deixou de ser apenas uma exposição para se transformar em negócio.
No início do ano, veio a novidade. Cerca de 70 lojas Arezzo em todo o País ganharam corners com os modelos do Studio. Mas os sapatos só eram vendidos sob encomenda. No início deste mês, durante a sétima edição do MorumbiFashion, o sócio-proprietário da Arezzo, Anderson Birman, anunciou: a partir de setembro, alguns modelos já estarão nas lojas para atendimento imediato. Mas vamos manter as encomendas para sapatos de design muito específico. A idéia é atingir um público mais amplo, e não apenas o consumidor seletivo e com informação de moda.
Temos uma teoria na Arezzo: a moda não supera o hábito. A mulher brasileira é muito conservadora. Temos sapatos que estão há 12 anos na loja, conta Anderson. Mudar essa realidade é um dos objetivos do Studio Arezzo, cujo custo, por edição, chega a R$ 250 mil. Só as despesas com o desenvolvimento de um modelo batem na casa dos R$ 20 mil.
Um exemplo típico desse conservadorismo tupiniquim é o preconceito com os modelos alongados, pois a brasileira ainda prefere os que dão a impressão de pés pequenos. É um preconceito meio tonto, pois o sapato é a base da figura. É a estrutura que sustenta a silhueta. Quanto maior a base, melhor a figura, observa o estilista Walter Rodrigues. É claro que esse processo de mudança da mentalidade fashion é lento. Para se ter uma idéia, foram vendidos apenas nove pares do modelo de inverno assinado por Walter, uma bota longa de bico finíssimo. Mas já é uma resposta de que é válido colocar no mercado propostas de design inovador, observa.
Nada mais coerente, já que o Brasil tem uma produção vigorosa: exporta 150 milhões de pares de sapatos por ano, que chegam ao consumidor final com marcas e design estrangeiros. Com uma iniciativa como o Studio Arezzo, quem sabe daqui a 3 ou 4 anos poderemos também exportar design, prevê Anderson.Criações de estilistas brasileiros para a 5ª edição do Studio Arezzo estarão nas lojas a partir de setembro
Fotos: divulgaçãoTênis feito totalmente em látex, de Alexandre HerchcovitchEscarpim com forma alongada e aplicação de texturas inusitadas, de Fause HatenCriação de Reinaldo Lourenço: escarpim com salto sabrina e abertura no bicoChinelo de dedo trabalhado em tressê e palmilha colorida metalizada, por Lino VillaventuraTênis oxford com solado em látex, de Renato LoureiroModelo de Jefferson Birman, da equipe de criação da Arezzo: aplicações de folhas bordadas e salto palito em formato de vírgula





