Fotos: J. PedroRetratos do Brasil: o design da Amazônia e de Goiás e suas respectivas aplicações


Apesar da diversidade da cultura tupiniquim, produtos com temática genuinamente brasileira são uma raridade no mercado. Assim como a indústria da moda, todos os outros segmentos se orientam por tendências internacionais. Pensando nisso, as recém-formadas Veridiana Carnaúba, 23 anos, e Andréa Carvalho Ferreira, 26, resolveram mostrar que além de uma inesgotável fonte de inspiração, o folclore brasileiro também pode ser viável comercialmente.
Veridiana: fauna e flora amazônicas em tecidos para decoração
Apesar dos projetos diferentes - Andréa trabalhou com cerâmica para revestimentos e Veridiana optou por tecidos de decoração - ambas escolheram o Brasil como tema do trabalho de graduação do curso de Desenho Industrial, com habilitação em Programação Visual, da Unopar (Faculdades Integradas do Norte do Paraná). Depois de uma ampla pesquisa sobre o folclore brasileiro, Andréa selecionou cinco regiões para retratar Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte, dedicando um capítulo especial à Amazônia. ‘‘Dei preferência para os Estados que tinham mais informações gráficas’’, observa. Ao todo, são 18 desenhos, que podem ser aplicados em cerâmicas de parede e de piso.
De Fortaleza, ela destacou a jangada e os peixes, numa delicada estilização; a folia do Carnaval carioca é representado por rabiscos coloridos - é a saia da baiana vista de cima; no retrato da Amazônia, Andréa faz um apelo: sob as cores contrastantes que simbolizam a água, as flores, o verde e o sol, surgem alguns traços brancos ameaçando a harmonia da natureza. ‘‘É como se fosse uma borracha apagando tudo’’, explica. São Paulo aparece em forma de xadrez, numa homenagem às festas juninas; Paraná e Santa Catarina se unem nos tons de café e mate; e Minas Gerais é lembrada pelas suas serenatas, num desenho que une luas, estrelas e o azul da noite.

Andréa e suas cerâmicas com motivos inspirados no folclore brasileiro


Vitória-régia Veridiana, por sua vez, explorou unicamente a fauna e a flora amazônicas, criando 20 desenhos para estamparia de tecidos. Cada motivo tem duas ou três variações de padronagem. ‘‘Escolhi a Amazônia porque ela é a cara do Brasil’’, justifica. No decorrer da pesquisa, ela descobriu que nenhuma fábrica brasileira de tecidos para decoração tem um departamento de criação. ‘‘Existem tecelagens que encomendam coleções para artistas plásticos, mas ainda assim, elas seguem tendências de fora’’, indigna-se.
Fugindo de motivos óbvios demais como o tucano, a orquídea e a onça-pintada (típicos da região), ela optou por retratar detalhes da floresta, como sapos, cogumelos, folhas e cipós, sem deixar de lado a vitória-régia (planta nativa). Entre os animais, escolheu o macaco, o guará (espécie de pássaro vermelho) e o boto cor-de-rosa (um dos símbolos da Amazônia). As cores são bem próximas das originais, com pequenas variações. ‘‘Mas nada impede que essas cores sejam trocadas pelas tecelagens, acompanhando as tendências vigentes’’, observa. As estampas podem ser usadas em tecidos para estofados, cortinas, colchas, almofadas e até em papéis de parede.

mockup