Desenhos inocentes que aterrorizam
Algumas crianças crescem sem medos ou pavores preocupantes. Em certa idade, porém, podem passar por alguma situação que, embora não pareça "nada" para um adulto, para a mente fértil de uma criança se torna apavorante.
Ana Paula Carvalho percebeu que a filha Ana Júlia, de 6 anos, até então bem independente e sociável para a idade, sofreu um retrocesso no comportamento após assistir a um desenho animado e começar a ter pesadelos. "Coloquei o desenho Dora Aventureira para ela assistir e eles fizeram uma imagem no episódio, como se fosse uma sátira, que ela estava toda ensanguentada. Foi de muito mau gosto. Aquela noite ela teve um sonho que monstros queriam me matar e pegar as bonecas dela. Depois disso ela não ficava sozinha para nada", explica Ana Paula.
A menina, que já tomava banho sozinha e dormia no escuro, parou de fazer tudo isso. "Ela passou a ter outros pesadelos. Gostava de ficar brincando sozinha, de ler, mas com aquela imagem (do desenho) na cabeça não conseguiu mais. Só ia ao banheiro ou pegava alguma coisa em outro cômodo se alguém fosse junto. Fiquei preocupada", conta Ana Paula, que comentou com a pediatra sobre o comportamento da menina. "Apesar da médica falar que era normal ter alguns medos, ela me indicou uma psicóloga infantil. Estudei Pedagogia e sei da importância de prestar atenção nos medos das crianças. Procurei ajuda logo para não piorar."
Ana Júlia faz tratamento há três meses e já apresenta mudanças positivas no comportamento. "No começo comprei uma lâmpada pequena de tomada para o quarto dela e eu ou meu marido ficávamos ali até ela dormir. Fomos conversando com a nossa filha e deixando a psicóloga fazer o trabalho dela, sem forçar nada. Hoje, Ana Júlia dorme sem a luz e se precisar acordar à noite e ir ao banheiro, vai sozinha. Ela já age normalmente e está tranquila. A melhora foi muito rápida", comemora. (P.B.O.)





