No verão aumentam as chances das mulheres enfrentarem infeções vaginais - a principal queixa feminina nas visitas aos ginecologistas. Como o problema está diretamente relacionado à imunidade, o risco aumenta diante de um quadro de estresse ou outras doenças. Especialistas apontam que higiene íntima adequada é fundamental para manter a saúde da região genital em dia.
De acordo com o médico ginecologista Gustavo Vitorino, o ambiente vaginal saudável possui muitas bactérias e micróbios. Ele explica que qualquer fator que promova o desequilíbrio bacteriano nesta região pode favorecer o aparecimento de infecções. "Às vezes, a simples mudança de ambiente pode proporcionar a alteração do Ph da vagina. Há casos em que a mulher precisa tomar antibiótico (por outro motivo) e isso acaba reduzindo a defesa do ambiente vaginal. Possibilita que um tipo de bactéria se prolifere mais do que outro, desencadeando o desequilíbrio", aponta.
Segundo a médica ginecologista Magda Paiva, a proximidade entre a uretra, a vagina e o ânus da mulher facilita a ocorrência de infecções vaginais. "A mulher adulta tem uma secreção vaginal que deve ser clarinha e sem cheiro. Qualquer alteração diferente disso pode ser sinal de infecção e precisa ser investigada", aponta.
Outros sintomas das infecções mais comuns são coceira, mau cheiro, ardência e irritação. Apesar de trazerem incômodos para a mulher, a cândida e a vaginose bacteriana não são doenças consideradas graves. "O organismo tem defesa e vai tentar lutar contra essas infecções. Algumas vezes, o quadro melhora sem intervenção, mas há situações em que é necessário utilizar medicamentos para restabelecer o equilíbrio da flora bacteriana", explica Gustavo Vitorino.
Um hábito que ajuda a prevenir este tipo de problema é a utilização de sabonete íntimo uma vez ao dia. "Os sabonetes íntimos, principalmente os medicinais, possuem um Ph semelhante ao da região vaginal e isso ajuda a manter a flora bacteriana equilibrada", ressalta o ginecologista. O médico acrescenta que estes produtos devem ser usados para lavar a área genital, mas não a região interna da vagina.
Optar por calcinhas de algodão no lugar do tecido sintético também é um hábito saudável. "O ambiente vaginal é quente, úmido, escuro e propício para a proliferação de micróbios. Por isso, é importante evitar tecidos como os sintéticos que abafam a região", afirma. Ele ainda recomenda que as mulheres intercalem o uso de calças jeans com saias, vestidos e calças de outros tecidos, justamente para evitar que a região fique com a oxigenação reduzida por longos períodos.
A má higiene das calcinhas também pode favorecer infecções. "Não recomendamos a lavagem de peças íntimas no chuveiro porque o sabonete normal é muito agressivo. Além disso, quando a calcinha é deixada dentro do banheiro para secar, torna-se muito favorável à proliferação de fungos", afirma. Conforme Vitorino, o ideal é lavar as roupas íntimas com sabão neutro e secá-las ao sol.

Preservativo
As infecções ginecológicas mais comuns não trazem grandes riscos para a saúde da mulher se forem acompanhadas por um ginecologista. No entanto, a clamídia e a gonorreia - infecções causadas por bactérias transmitidas durante o ato sexual - podem comprometer o colo do útero, útero e trompas e levar à esterilidade. "Nas mulheres os sintomas mais frequentes são dores no baixo ventre, dores na relação sexual, sangramento e, às vezes, febre", explica Magda Paiva. Conforme a médica, estas infecções podem ser prevenidas com o uso de preservativo nas relações sexuais.

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