A professora Mari Kanegae, assim como a maioria dos filhos de imigrantes japoneses, aprendeu as primeiras figuras em origami em casa, usando todo o tipo de papel disponível, até mesmo folhas de jornal velho. Da brincadeira de criança a instrumento de trabalho, a transição foi por acaso e aos poucos. A primeira vez que Mari percebeu o potencial de aplicação do origami foi
quando fazia um estágio obrigatório de seu curso de Educação Artística na ECA/USP – na hoje Casa de Cultura de Santo Amaro (SP), em 1978.
‘‘Como as crianças eram pobres, pensei em dar uma atividade que elas pudessem dar continuidade em casa. Lembrei que fazia origami até com jornal velho quando criança e decidi incluir a atividade no programa, que tinha pintura, colagem, modelagem e outros’’, conta Mari.
O sucesso da iniciativa foi imediato, as crianças se encantaram com a possibilidade de dar diversas formas ao papel. ‘‘As crianças me mostraram a importância do origami. Percebi que poderia fazer um trabalho mais amplo’’, afirmou.
Desde então, Mari nunca mais parou com o origami e a busca pelo aperfeiçoamento a levou para o Japão. Em Tóquio, visitou uma exposição do origamista Toyoaki Kawai, cujo trabalho já conhecia por livros. Mari apresentou-se ao mestre e expressou seu desejo de aprender a arte. ‘‘Eu tive a honra de ter aulas, de frequentar o atelier de Kawai todas as semanas, por um ano’’, disse Mari.
Um dos ensinamentos do mestre foi que antes de aprender origami era preciso aprender a observar as coisas ao redor, para então poder interpretar uma forma no papel. ‘‘Era preciso captar a essência da figura’’, disse. ‘‘Nos passeios na montanha que fazíamos, era comum ele observar uma flor, por exemplo, e ao
voltar ao atelier trabalhar na interpretação de sua visão no papel, criando assim um origami’’, explica Mari.
Aplicações O origami não é apenas uma forma de entretenimento, mas também um importante instrumento educativo e terapêutico. A professora Mari Kanegae destaca que o origami trabalha a parte física e o lado sentimental da pessoa. ‘‘Estudos comprovam que o origami, por trabalhar com as duas mãos, não importando se a pessoa é destra ou canhota, exercita todas as partes do cérebro’’, diz. ‘‘O origami ainda exercita a coordenação motora, a atenção, a visualização espacial e a criatividade, além de ser uma atividade relaxante’’, acrescenta.
O origami ajuda as pessoas a se desligarem dos problemas externos, facilitando a concentração no momento presente, na atividade que está sendo executada. ‘‘Se você está fazendo um origami tem de pensar somente no trabalho que está fazendo, se estiver pensando em outra coisa, não faz o origami’’, diz. Mari conta que muitos alunos chegam tensos e cansados e, depois de alguns minutos, esquecem dos problemas externos e ficam mais relaxados, esquecem a dor de cabeça e outras preocupações durante a aula.
Entre os alunos do Curso de Origami na Aliança, Mari conta que a maioria é composta por brasileiros que não têm nenhuma origem oriental. Muitos exercem atividades altamente estressantes, como serviço bancário, e procuram o curso como uma forma de relaxar.
Muitas empresas propõem curso de origami para os funcionários como atividade de relaxamento, dentro do programa de integração da empresa, as aulas de origami ajudam a sociabilizar as pessoas e fazer com que elas trabalhem em grupo. Depois de aparecer nos programas infantis X-Tudo, da ‘‘TV Cultura’’
e Bom Dia & Cia, do ‘‘SBT’’, para explicar o que é e como fazer origami, o fotógrafo Ivson Miranda passou a ser requisitado por empresas para dar um curso básico de origami aos funcionários, como instrumento para reduzir o stress dos trabalhadores.
O hobby iniciado há 23 anos, quando aprendeu sobre a cultura japonesa com um vizinho do bairro do Limão, transformou-se numa atividade comercial. Além de dar cursos para empresas, Miranda criou, recentemente, uma vitrine com motivo para o Dia das Crianças para uma loja de brinquedos. (S.Y.K.)

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