Contos de fadas e brinquedos, itens básicos do universo infantil, são responsáveis por algumas das mais belas lembranças do passado. Quem não se lembra da boneca preferida ou do carrinho que o Papai Noel trouxe num distante Natal de nossas vidas? Além de encherem nossos baús mentais com recordações saudosas, os brinquedos são extremamente importantes para o desenvolvimento da criança, fato comprovado por especialistas de todo o mundo. O que pouco se fala, porém, é sobre a origem desses divertidos objetos.
Até a década de 30, nem todo mundo tinha acesso aos brinquedos importados, especialmente da Europa. Eram os carrinhos de lata e as bonecas de porcelana. Foi somente a partir da década de 50, com a introdução do plástico em escala industrial, que o brinquedo se popularizou de fato. Assim, personagens vistos na televisão ganharam formas e vitrines de lojas. E, melhor, o preço não era tão exorbitante. Atualmente existem no País cerca de 300 fábricas de brinquedos.
Resgate cultural A bola é um dos brinquedos mais antigos da humanidade. Há 6.500 anos, elas eram confeccionadas com fibras de bambu, no Japão, e com crinas de animais, na China. Já os romanos e os gregos utilizavam tiras de couro e penas de aves para produzi-las, mas as de bexiga de boi eram as preferidas. Foi somente em 1894, porém, que os meninos do Brasil puderam experimentar os prazeres da bola. A primeira bola branca foi idealizada por um brasileiro, Joaquim Simão, em 1935, para que ela pudesse ser melhor visualizada em jogos noturnos.
Informações como estas constam de ''A História do Brinquedo Para as Crianças Conhecerem e os Adultos se Lembrarem'', 16º livro infantil da publicitária Cristina Von. A obra é um belo trabalho de resgate cultural. Embora circule em torno do universo infantil, ''A História do Brinquedo'' não é exatamente um título destinado exclusivamente às crianças. ''Mas esta era minha idéia inicial, só que comecei a pesquisar sobre o assunto e não encontrei quase nada. À medida em que me aprofundava no assunto, fui conseguindo dados muito importantes. Então, acabou virando um livro mais para o público adulto'', explica a autora.
Jogos de guerra Os famosos e, aparentemente, inocentes soldadinhos de chumbo, por exemplo, nasceram como jogos de guerra. ''Muitos reis, como o francês Luís IX (1214-1270), se divertiam articulando batalhas com seus pequenos soldados'', ressalta a autora. O brinquedo só passou a ser manufaturado comercialmente na metade do século 19, em Nuremberg, na Alemanha. Eram artigos de luxo, só os pequenos nobres podiam tê-los.
O gosto dos meninos pelos pequenos bonecos sobreviveu até os dias de hoje. Quem não se lembra do Playmobil? O brinquedo ganhou suas primeiras versões em 1958. O projeto era da Geobra, então uma empresa que fabricava telefones, caixas registradoras e brinquedos de metal. Anos mais tarde, contudo, Hans Beck, chefe de criação da fábrica, concluiu um projeto com a criação de um boneco barato, com prédios e veículos para compor o kit. Surgiam assim os bonecos Playmobil, que viraram uma febre entre crianças das mais diversas nacionalidades.
Pokémon No Brasil, no começo da década de 70, um ratinho fazia enorme sucesso na TV, num quadro do programa ''Mister Show'' ao lado do ator Agildo Ribeiro; sua versão boneco foi igualmente um sucesso. Topo Gigio (topo significa rato em italiano) foi criado pela italiana Maria Perego, em 1958.
Depois do Falcon, no fim da década de 70, vieram muitos e muitos outros. A mais recente onda foram os Pokémons, que invadiram as gôndolas do comércio japonês. Hoje, são mais de 251 tipos, divididos em 15 ''espécies'', cada uma delas com um ''poder especial''.
Cristina Von descobriu também que o futebol de botão foi criado por um inglês. Em 1947, Peter Adolph anunciava sua invenção, o ''subbuteo''. Entretanto, esta pode não ser a versão correta. Há indicações de que bem antes, em 1930, o carioca Geraldo Décourt já divertia a vizinhança com o seu ''fotball celotex'' (nome que fazia uma alusão ao material usado em sua confecção). Pelo que Cristina apurou, Décourt utilizava, a princípio, botões de verdade. Ou melhor, os das próprias cuecas. Depois, evoluiu para os da calça do uniforme da escola. q

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