Com faro para prever carreiras promissoras, o olheiro André Sanseverino faz a ponte entre modelos e agências
Joelma Handziuk‘‘Historicamente, não são os primeiros lugares nos concursos de beleza que se dão bem na profissão’’, diz André Sanseverino, novo colaborador da Folha da Sexta em MaringáEduardo Ruegg/ReproduçãoMarcela Braga: 22 quilos a menos e contrato com a MegaReproduçãoJoyce Smerecki, de Colorado, no calendário da Frisco DietPara ser modelo, altura, magreza e beleza excepcional não são suficientes. E, às vezes, nem necessárias. Explicando melhor: não adianta ser a perfeição em pessoa se não houver um ‘‘algo mais’’, aquele sorriso, um andar diferente, um estilo próprio. Atributos que se convencionou chamar de atitude. Também não é preciso passar a pão e água até virar uma tábua humana, nem viver choramingando porque não se tem alguns centímetros a mais. Eles não farão diferença se você tiver um rosto deslumbrante ou até exótico.
Quem garante é o ‘‘olheiro’’ André Sanseverino, 32 anos, um expert em beldades. No seu currículo de caça-talentos, estão várias modelos da região, como Joyce Smerecki, 16 anos, de Colorado, destaque do mês de julho no calendário da Frisco Diet, e atual garota propaganda do sorvete Troppo. ‘‘A partir desse mês, o rosto dela será visto em freezers de todo o País e em outdoours e bus doors de São Paulo’’, orgulha-se André.
Outra de suas valiosas descobertas é Marcela Braga, de Paranavaí, que hoje mora em São Paulo, agenciada pela Mega. Quando André a conheceu, enxergou esse futuro promissor escondido sob uma farta silhueta. E a desafiou: se você emagrecer, vai ser capa da Capricho. Não deu outra. Quase um ano depois, lá estava ela, com 22 quilos a menos, contando sua história de gata borralheira nas páginas da revista.
‘‘Existem dois tipos de modelo: a fashion, que é alta, magra e tem grandes chances de fazer carreira internacional; e a modelo comercial, com menor estatura e cheia de curvas, que geralmente ganha mais dinheiro porque o volume de trabalhos é maior’’, explica. Para esclarecer questões como essa, dar dicas aos que querem se arriscar na carreira, revelar suas recentes descobertas e contar por onde andam os modelos paranaenses que deram certo, André passa a ser, a partir de hoje, colaborador da Folha da Sexta. Sua coluna - ‘‘Scouting’’(que deriva de scout e significa observador, descobridor) - trará também registros da noite de Maringá e região, já que além de especialista em beleza, ele também é festeiro de carteirinha.
Foi justamente em uma festa assinada por ele, em Campos do Jordão, que toda a história começou. Na época, há uns seis anos, conheceu o pessoal da Elite e foi convidado a organizar o concurso em Maringá. A partir de então, leva a sério a vocação de olheiro. ‘‘Ando pelos shoppings, supermercados, escolas’’, conta. Quando menos espera pode-se deparar com uma Gisele Bundchen, ainda que extremamente bem disfarçada. Seu trabalho é revelar o que nem todo mundo vê. Mas já vai avisando de cara: ‘‘Não cobro por isso, nem trabalho como empresário de ninguém’’.
Scout oficial da agência Mega, não se intimida quando uma garota em que apostou não é aceita ali. Simplesmente procura outra agência. ‘‘Historicamente, não são os primeiros lugares dos concursos de beleza que se dão bem na profissão’’, observa ele, que atende semanalmente 15 a 20 meninas perseguindo o sonho de virar top. ‘‘Aconselho a sempre virem acompanhadas dos pais, para que eles se informem sobre esse universo. É uma carreira que envolve muitas tentações - gente bonita, dinheiro, festas - mas para se dar bem é preciso levar uma vida regrada’’, avisa.

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