Altos executivos convivem diariamente com o estresse no trabalho, mas o período de férias pode contribuir para elevar ainda mais esse nível de estresse. A afirmação é da pesquisadora Ana Maria Rossi, presidente da filial brasileira da Internacional Stress Management Association Isma), entidade sem fins lucrativos dedicada à prevenção e tratamento do estresse no mundo. A informação surpreende porque acredita-se que a total dedicação exigida na função do executivo, a competição, e a cobrança por resultados, são os fatores que mais levam ao estresse.
De acordo com ela, um longo período de férias, que deveria significar dias de relaxamento, descanso e reposição de energias, para esses profissionais pode ter efeito contrário e aumentar o nível de estresse. O motivo: a interrupção da participação nos projetos em andamento e a sensação de risco diante da acirrada competitividade. Isto não permitiria ao executivo se ‘‘desligar’’ do trabalho, faria a ansiedade aumentar e, consequentemente, surgir mais estresse. ‘‘É bastante comum o profissional elevar seu nível de estresse, antes e durante as férias, quando se afasta do universo da empresa por muitos dias’’, diz.
Sem contato Segundo a pesquisadora, períodos menores de férias, onde de fato aconteça distanciamento das atividades profissionais, com dispensa do telefone celular, e-mail ou qualquer outro meio de contato durante o descanso, podem ser mais benéficos aos executivos. ‘‘Muitos executivos partem para viagens, mas não se desligam de suas funções, levam na bagagem a responsabilidade acrescida do distanciamento do trabalho. Com isso, as férias perdem seu principal objetivo de revitalização das energias, de prazer, do descanso sem compromisso e pressão, fundamentais ao equilíbrio mental e à saúde física’’, afirma Ana Maria Rossi.
Na opinião da pesquisadora, a opção de dividir as férias em períodos mais curtos pode ser boa tanto para o profissional quanto para a empresa. ‘‘É mais tranquilo para ambos definir as providências necessárias com relação às atividades em andamento, considerando a futura ausência do profissional responsável. Outra conduta fundamental é confiar na equipe de trabalho e saber delegar funções’’, explica.
Envolvimento Na empresa Milênia Agrociências, de Londrina, é comum os diretores tirarem férias de 20 dias quando o volume de negociações é menor. A empresa também usa o sistema de férias coletivas no final do ano, entre o Natal e o Ano Novo. ‘‘Se o executivo é uma pessoa que centraliza todas as decisões e não consegue delegar atribuições, corre o risco de ficar envolvido com o que acontece na empresa, mesmo fisicamente longe. Por isso, é interessante tirar férias em épocas em que o volume de negociações diminui, é um período em que não há tanta pressão’’, explica Antonio Ricieri Biazão, gerente de gestão de talentos da empresa.
De acordo com a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), o empregado tem direito a férias depois de um período de 12 meses de trabalho. Durante os 12 meses seguintes, é o período em que ele vai poder desfrutar 30 dias de descanso, com direito a receber 10 dias em dinheiro. No caso de férias coletivas, com duração mínima de 10 dias, o descanso pode ser dividido em dois períodos. A maioria dos altos executivos, no entanto, presta serviço através de contrato, sem vínculo empregatício com a empresa e, portanto, sem a necessidade de seguir o regime CLT.

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