As mulheres foram atrás do seu espaço na sociedade, da sua igualdade de direitos e oportunidades, mas exigiram que sexo oposto fizesse o mesmo, só que, dentro de casa, na educação dos filhos. Essa nova geração de pais, considerados mais sensíveis, exclui o comportamento ditatorial e insere a participação e o comprometimento na vida das crianças. Diferentemente do passado, eles têm a chance de exercer a paternidade e provar que são mais do que simples provedores.
  Para o psicanalista Ailton Bastos, esse "novo pai", não tem nada a ver com o modelo antigo de paternidade. "Há algumas décadas, o homem tinha apenas três tarefas na criação dos filhos: conceber, esperar pelo nascimento e sustentar a prole. As outras atividades ficavam integralmente com a mulher", explica.
  Segundo ele, esse comportamento seguia valores sociais da época. "Desde pequenos, os homens eram "preparados" para ter essa atitude: eles brincavam de carrinho, enquanto elas, de boneca e casinha", conta.
  Porém, o quadro mudou. O que era consi­derado estranho, hoje é cada vez mais aceito. "O pai dessa nova geração está presente em todos os exames pré-natais; participa daqueles momentos lúdicos de conversas e sonhos com a mulher ainda grávida; troca fraldas; faz questão de acompanhar as consultas depois que o filho nasce; vai a reuniões escolares e se preocupa em participar de todas as questões subjetivas da criança", explica o psicanalista, que comenta que essa nova geração não só divide as funções da educação dos filhos, mas também tem prazer em executá-las.
  Na opinião de Bastos, esse modelo de pai é consequência de um novo homem, muito mais sensível e companheiro. "Você consegue perceber, enquanto passeia num shopping, o marido acompanhando sua mulher nas compras, carregando sacolas e até a bolsa dela", diz. "Ninguém mais questiona a masculinidade do homem que exerce essas funções. Muito pelo contrário", comenta.

PÃE

Muitas vezes a mãe assume todos os papéis, mas a probabilidade de o pai fazer o mesmo é grande. Para o psicanalista é preciso ter cuidado com excesso de zelo unilateral. Criança precisa de pai e de mãe, e ambos são responsáveis pela criação, formação e representação. "Mesmo que o pai seja mais participativo, ele não está exercendo o papel de mãe, mas de pai. É importante separar isso", comenta.
No entanto, quando a família vive em perfeita harmonia, a participação do casal pode trazer bons resultados na educação dos pequenos. "Os filhos vão crescer com muito mais segurança para enfrentar o mundo", aconselha Bastos.

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