O desafio de elogiar é ainda maior em uma casa com três crianças, com idades e personalidades bem diferentes, como é o caso da família do funcionário público federal Dori Edson Doná e da dona de casa Erica Doná.

Pais de Giulia, de 10 anos, Lucca, de 5, e Heloísa, de quase 4, eles afirmam que a mais velha tem muita facilidade na escola e quase não precisa estudar para fazer provas. Já o menino precisa de mais esforço que a irmã para aprender, e necessita que a mãe fique "no pé" para que as tarefas da escola sejam feitas. "Já a Heloísa é aquela rápida demais, que aprende coisas que você nem sabe de onde saíram. É um desafio dosar e elogiar os três corretamente, já que se você elogia um, o outro já pergunta: 'e eu'?", conta Erica.

Ela diz que hoje toma muito cuidado com as palavras e os reforços positivos porque ela e o marido passaram por algumas dificuldades com a primogênita, pelo excesso de elogios. "Como a Giulia ficou mais de quatro anos sendo filha única, a gente acabava elogiando excessivamente. Tudo era lindo, tudo era perfeito, em tudo ela era a melhor. A gente percebeu que ela começou a ficar 'convencida' e muito cheia de si", explica. A menina desenvolveu uma autoconfiança até para coisas que não sabia fazer. "Ela pensava que podia fazer qualquer coisa, que não precisava aprender. Começamos a explicar que as coisas não eram assim, que é necessário esforço, que ela não sabia tudo. Ainda bem que começamos a corrigir a tempo, e melhoramos isso com os outros dois", avalia.

Para o pai, mais difícil do que saber elogiar, é saber criticar o filho com amor. "O ego humano é uma coisa complicada. Se alimentarmos demais ele vira um monstro, e se não alimentarmos o suficiente a pessoa não se desenvolve emocionalmente. Acho que os pais devem conviver, ter relacionamento com a criança, para saber qual o temperamento dela", diz. Na opinião dele, dessa forma os pais sempre perceberão quando estão elogiando da forma correta, porque isso vai impactar o comportamento da criança. "Acho que críticas ácidas não ajudam, mas você precisa, com calma, mansidão, temperar a educação com elogios e críticas. Educar é também saber frustrar a criança da forma correta, senão seu filho, se só receber elogios, pode ficar mimado e muito prepotente", acredita. (P.B.O.)

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