Celso Mattos
Existem pessoas que planejam durante anos uma guinada na vida, mas acabam desistindo diante dos desafios; para outras, a mudança bate à porta por acaso. Este é o caso da nadadora curitibana Dailza Damas, 42 anos. Uma dona de casa que aprendeu a nadar aos 28 anos para incentivar o filho que sofria de bronquite e precisava praticar o esporte.
Dailza Damas, que esteve em Londrina semana passada a convite da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), para a palestra ‘‘Aprendendo com a Experiência de um Atleta’’, diz que tudo aconteceu muito rápido e inesperado em sua vida. ‘‘Eu era uma pessoa pouco confiante e cheia de medos, que não conhecia praticamente nada da vida. De repente, me deparei tendo que planejar a travessia a nado do Canal da Mancha’’, diz a brasileira que atravessou duas vezes o canal que separa a Inglaterra da França.
Ela conta que nunca sonhou em ser uma atleta. ‘‘Eu não gosto de competir com ninguém, a não ser comigo mesma. Por isso, nunca participei de competições em piscina. Sempre gostei do mar, mas quando ia à praia só tinha coragem de entrar até a água chegar aos joelhos’’, revela. Aos 30 anos de idade, Dailza Damas fez a sua primeira travessia em mar aberto. ‘‘Foi em Guaratuba, onde eu precisava nadar três quilômetros, mas demorei meia hora para entrar na água, pois estava muito insegura’’, confessa.
Travessias Foi a partir de então que a vida desta dona de casa mudou radicalmente. Ela contornou as ilhas de Manhattan (EUA), de Fernando de Noronha, de Abrolhos, de Trindade e do Mel. Além disso, nadou no Mar da Galiléia de norte a sul, fez a travessia do Estreito de Gibraltar, na Espanha, e foi a primeira brasileira a fazer a travessia do canal de Catalina, em Los Angeles. Entretanto, ela garante que a maior travessia que fez não foi na água, mas dentro dela mesma. ‘‘Hoje sou uma pessoa mais autoconfiante, pois aprendi a lidar com meus limites’’.
Ao contrário do que muitos pensam, a nadadora assegura que seu objetivo nunca foi desafiar a natureza. ‘‘Eu desafio meus limites e minha própria natureza. Antes eu me preocupava apenas em planejar as tarefas domésticas, hoje preciso fazer contatos com embaixadas, trabalhar em equipe e ficar, em média, três anos planejando uma travessia’’.
Dailza Damas acredita que todo mundo é capaz de realizar seus sonhos. ‘‘Existem tantas pessoas que gostariam de mudar de vida, aprender novas coisas, mas acham que estão velhas demais para isso. Outras dizem que quem aprende a nadar depois de adulto nunca perde o medo da água. Sentir medo é humano, mas não podemos deixar que esse medo paralise nossas pernas’’. A nadadora, que é patrocinada pelo O Boticário, está com um novo projeto: ‘‘Estou planejando fazer a travessia do Rio Amazonas. Queria fazer isso nas comemorações dos 500 do Descobrimento do Brasil, mas não sei se vai ser possível devido à falta de tempo’’, informa a atleta.A nadadora Dailza Damas revela como deixou de ser uma simples dona de casa e se tornou uma atleta aos 30 anos
Arquivo Folha‘‘A maior travessia que eu fiz não foi na água, mas dentro de mim mesma’’, diz Dailza DamasArquivo FolhaA atleta aprendeu a nadar aos 28 anos e foi a primeira brasileira a atravessar duas vezes o Canal da Mancha

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