Apesar dos avanços da cardiologia, milhares de brasileiros morrem de parada cardíaca, que poderia ser controlada se houvesse um atendimento emergencial
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Poucas doenças apavoram tanto quanto as do coração, até porque são as que mais matam no mundo. Sinônimo de vida, o coração funciona como um possante motor capaz de bombear o sangue oxigenado para todos os órgãos do corpo humano. Por isso, ele não pode parar. Se sofrer uma parada cardíaca, não pode ficar mais que alguns segundos sem receber os primeiros socorros. Pois é exatamente nesses segundos fatais que mora o perigo da chamada morte súbita, tema central do 29º Congresso Paranaense de Cardiologia, que acontece em Londrina de 19 a 21 de abril (ver box).
‘‘No Brasil, de cada 100 pessoas que sofrem uma parada cardíaca na rua ou em casa, apenas duas sobrevivem’’, afirma o médico cardiologista Manoel Canesin. Uma péssima notícia para o coração. A boa notícia é que esse número de mortes pode baixar para 30, como acontece em Seatle (EUA), onde o percentual de sobrevida é de 60% para cada 100 pessoas enfartadas.
Apesar de Seatle ser reconhecida como cidade modelo em ressuscitação cardiopulmonar, nos Estados Unidos morre uma pessoa a cada 33 segundos de doença do coração, sendo que 250 mil pessoas morrem anualmente de morte súbita, antes mesmo de chegar ao hospital. ‘‘No Brasil, esses números são parecidos e, se formos considerar proporcionalmente os índices dos norte-americanos, a média de pessoas que sofre ataque cardíaco que culmine com morte súbita em Londrina é em torno de 500 pessoas por ano’’, compara Manoel Canesin. ‘‘Salvando 2% dessas pessoas estaríamos salvando, no máximo, 10 pessoas por ano, quando poderíamos salvar pelo menos 300 pessoas, índice de Seatle’’, analisa ele.
Campanha O cardiologista explica que o que se pratica lá – manobras básicas de ressuscitação cardiopulmonar pela população – foi introduzido aqui no ano passado na campanha Tempo é Vida, no Shopping Catuaí. O objetivo é salvar vidas e, com isso, transformar Londrina em centro de referência no que Canesin define como ‘‘corrente da sobrevida’’, que envolve as quatro etapas padronizadas pela American Heart Association de socorro às pessoas com parada cardiorrespiratória adotadas em Seatle.
A partir dos primeiros sintomas de uma parada cardíaca – desmaio, ausência de respiração e batimento cardíaco não detectável – é preciso fazer as manobras corretas de ressuscitação cardiopulmonar, seguidas de desfibrilação (choque no peito) com um aparelho automático. Passada a fase aguda da emergência, a pessoa deve ser encaminhada ao hospital em seis minutos, no máximo. ‘‘Pacientes atendidos nos primeiros sete minutos têm 60% de chances de sobreviver e voltar à vida normal depois do tratamento’’, garante Canesin.
O cardiologista explica que esse atendimento de urgência pode ser realizado tanto por profissionais da área de saúde como por leigos, ‘‘desde que possuam conhecimento das técnicas de ressuscitação e tenham à mão um equipamento simples, portátil, chamado desfibrilador automático. ‘‘Esse aparelho é um dos maiores avanços da cardiologia em atendimento de emergência. As autoridades deveriam se conscientizar e obrigar locais públicos como shoppings, aeroportos, academias, rodoviárias, etc., a ter um desfibrilador e pessoal treinado para atender vítimas de parada cardíaca; muitas vidas seriam salvas’’, afirma Manoel Canesin, que é diretor do Departamento de Ressuscitação Cardiopulmonar da Sociedade Paranaense de Cardiologia, diretor do Centro de Treinamento em Emergência Clínica do American Heart Association e presidente da comissão científica do 29º Congresso Paranaense de Cardiologia.

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