Estudo apresentado no 159º Encontro Anual da Associação Americana de Psiquiatria, realizado mês passado, mostra que adultos cujos pais tiveram depressão têm mais chance de apresentar sintomas da doença, além de ter um menor círculo de amizade e maior tendência a usar antidepressivos e procurar ajuda psiquiátrica. Os filhos de pais depressivos também apresentam mais sintomas físicos da depressão, incluindo dores e algumas limitações em atividades cotidianas devido a sintomas emocionais e físicos da doença.
  Outro dado levantado pelo estudo, que teve início em 1980, aponta que filhos de pais depressivos que alcançaram a eliminação completa (ou remissão) dos sintomas da doença, têm as mesmas chances de não sofrer de depressão que pessoas cujos pais não tinham o problema.
  O estudo, com duração de 23 anos, acompanhou e comparou o crescimento de 340 descendentes de pais depressivos e de um grupo de controle, cujos pais não apresentaram a doença.
  Ainda de acordo com o estudo, a severidade dos sintomas da depressão foi pior entre adultos cujos pais nunca alcançaram a remissão dos sintomas da doença. Mais de 70% dos adultos com pais depressivos reportaram que alguém na família sofre de depressão comparado a 45% do grupo controle. Além disso, filhos de pais depressivos foram mais incomodados por sintomas físicos dolorosos, em comparação aos filhos do grupo controle (49% versus 40%) e afirmam que ficaram de cama devido a problemas físicos ou psicológicos dentro de um mês (27% versus 17%).
  Para Michael Thase, professor de psiquiatria do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh, essas informações reforçam a necessidade de tratar os pacientes até a completa resolução de todos os sintomas emocionais e físicos da depressão. ‘‘Tratar a doença até a remissão completa pode ter um impacto favorável na não-propagação da doença através das gerações’’, afirma.


Sintomas emocionais

- Tristeza, diariamente
- Sentimentos de vazio e desesperança
- Estresse, nervoso ou esgotamento
- Perda de interesse em atividades antes prazerosas
- Dificuldade em concentra-se ou tomar decisões
- Sentimento de inutilidade ou baixa auto-estima
- Culpabilidade excessiva ou desproporcional
- Irritabilidade com ou sem inquietação
- Ideação suicida

Sintomas físicos

- Fadiga ou falta de energia
- Sono demais ou de menos
- Mudanças no apetite e peso
- Dores vagas e difusas
- Dor de cabeça
- Dor nas costas
- Problemas gastro-intestinais
- Tontura


Tratamento

  O transtorno depressivo maior afeta 121 milhões de pessoas em todo o mundo e pode acontecer em qualquer idade, raça ou etnia, apesar de mulheres terem duas vezes mais chances de apresentar o problema do que homens. Apesar de ser um dos mais freqüentes transtornos psiquiátricos, a depressão é geralmente mal diagnosticada e sub-tratada. Isso pode acontecer porque pacientes depressivos geralmente apresentam sintomas físicos mais do que queixas emocionais. Em um estudo científico, 69% dos pacientes diagnosticados com transtorno depressivo maior apresentaram sintomas físicos como uma das principais queixas. A dor está presente em aproximadamente 45% a 75% de pacientes com depressão e pode ser de cabeça, nas costas, ombros e no abdômen.
  A completa resolução dos sintomas, ou remissão, é o objetivo primário do tratamento com acompanhamento médico constante. O tratamento completo de todo o espectro de sintomas emocionais e físicos diminui o risco de recaídas do paciente. Uma das opções de tratamento mais modernas é o antidepressivo à base de duloxetina, da classe dos duplos inibidores de recaptação de serotonina e noradrenalina com mecanismo de ação balanceado e potente. A serotonina e a noradrenalina são neurotransmissores responsáveis pelo equilíbrio das emoções e da percepção a estímulos dolorosos relacionados à depressão. Estudada em mais de seis mil adultos com depressão, a duloxetina revelou-se como a mais nova opção medicamentosa para o tratamento por agir nos sintomas emocionais e físicos relacionados à doença.

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