Ninguém está livre de cometer gafes, nem mesmo o presidente da República. A maior de todas foi durante um discurso na Namíbia, quando, ao lado do presidente daquele país, Sam Nujoma, Luiz Inácio Lula da Silva comentou sobre a cidade: ‘‘Quem chega a Windhoek não parece que está num país africano. Poucas cidades do mundo são tão limpas.’’ Feito o estrago, o jeito é levar na esportiva ou tirar o time de campo, dependendo da situação.
  Duas experts em etiqueta social, a jornalista Claudia Matarazzo que acaba de lançar o livro ‘‘Negócios Negócios, Etiqueta à Parte’’, e Janir Fraga, consultora do Senac São Paulo, dão dicas de como se livrar de situações embaraçosas. Segundo elas, de modo geral, a regra é agir com naturalidade e sair delas o mais rápido possível. Ou, como lembra Janir, ‘‘quanto mais o que comete a gafe tenta se explicar, mais chafurda na lama’’. Aliás, senso de humor é fundamental nesses momentos cruciais em que a vontade é simplesmente de desaparecer...
No enterro Muito tato nessa hora, especialmente se não se trata de alguém da família. Nada de ficar enaltecendo o defunto, bater papo com um conhecido que não vê há anos, alheio à situação. ‘‘A ordem é ser discreto e solidário, porém sem exageros. Deve-se ficar por perto no caso de a pessoa precisar ser amparada.’’ Se não for possível comparecer ao enterro, jamais mande um e-mail, que é algo frio e impessoal. O telegrama, segundo Claudia, só deve ser enviado quando não se tem intimidade. ‘‘O ideal é mandar um cartão pessoal com palavras de conforto escrito a mão’’, recomenda.
  Segundo Janir, o social discreto só é permitido na ante-sala do velório. ‘‘Na sala, a pessoa vai diretamente ao caixão, faz uma oração ou fica uns minutos em silêncio, se afasta e olha ao redor para dar os pêsames. ‘‘Nos casos de choro compulsivo, é melhor ficar em silêncio, pois basta a própria presença para reconfortar.’’ E no caso de não comparecer ao velório, enterro ou missa de sétimo dia, deve-se fazer uma visitinha rápida depois, mostrando-se solidário.
Em festas Uma das saias justas mais comuns é quando a memória falha. Numa festa, uma pessoa vem ao seu encontro, diz o seu nome e você nem imagina de quem se trata. Se o encontro for profissional, uma saída é dar o seu cartão. Com certeza, o outro fará o mesmo. Ou então perguntar: ‘‘Como é mesmo o seu nome completo?’’
  O célebre dilema ‘‘com que roupa eu vou’’ é facilmente solucionado quando o tipo de traje é colocado no próprio convite. Mas, se acontecer de a festa ser de gala e você aparecer com um traje esportivo, ou vice-versa (vestir-se como se fosse à entrega do Oscar quando a reunião é informal), não azede o humor, nem perca a festa. Janir recomenda dar uma boa desculpa e se comportar com naturalidade.
  Caso a comida servida não seja de seu agrado, não faça careta e nem reclame com os anfitriões. Janir conta um episódio divertido que aconteceu com ela: ‘‘Eu detesto miúdos e uma vez fui a um jantar em que a anfitriã não especificou o que seria servido. Sobre a porção de arroz, colocaram uma concha do que parecia ser strogonofe. Antes de levar à boca, perguntei do que se tratava e me disseram que era sarapatel com molho de sangue. Disfarcei, fui andando com o prato até a área de serviço e o prato lá ficou. Ainda bem que era jantar americano.’’
  Se for um jantar à francesa, sirva-se um pouquinho do prato principal e pegue os acompanhamentos. Ao cruzar os talheres, deixe o que não comeu sob eles. Na verdade, quando se trata de uma comida muito específica, tipo feijoada, bacalhoada, frutos do mar, cozido e afins, quem convida deve avisar para evitar esse tipo de constrangimento.
Fofoca E o que fazer quando um casal amigo acabou de se separar e um dos dois está de amor novo? ‘‘Convide o que está sozinho e abra o jogo com o outro, dizendo algo do tipo ‘‘você está tão bem que não vai fazer questão de vir, não é mesmo?’’, fala Claudia. Outra situação delicada envolvendo casais de amigos: você vai a um restaurante e vê o namorado ou marido de uma amiga acompanhado por outra mulher. ‘‘Não se deve cumprimentar, muito menos, ligar para a amiga e fazer fofoca. Não se sabe se é um encontro de trabalho ou outra situação banal.’’
  Em quase toda festa tem um bêbado chato. ‘‘Tem que tirar de circulação e conversar em particular’’, recomenda Claudia. Ainda falando de festas e bebidas, uma situação típica nas confraternizações de fim de ano: o chefe tomou umas e outras e chama uma funcionária para dançar. O que fazer? Segundo Janir, o jeito é levar na esportiva e, no dia seguinte, simplesmente esquecer o ocorrido, sem vangloriar-se da situação.
Piadas e acidentes Além de maneirar o copo, também em festas ou eventos, é de bom tom evitar piadas ofensivas sobre etnias. ‘‘Vai que um dos ouvintes é justamente o ‘homenageado’ da piada? Ele não vai achar a menor graça’’, observa Claudia.
  Barraco em público. Nada pior do que lavar roupa suja numa festa. ‘‘A receita é não tomar partido e retirar do ambiente o que estiver mais exaltado, usando um pretexto qualquer como uma ligação urgente, por exemplo. Em último caso, deve-se chamar os envolvidos para conversar num local mais reservado’’, diz Janir. E se no meio da discussão olharem para você e perguntarem o que acha a respeito, simplesmente diga a frase mágica com ar enigmático: ‘‘Muito interessante’’.
  Acidentes acontecem, mas nada de sair de fininho e fingir que nada aconteceu. A regra é responsabilizar-se pelo estrago, arcando com o custo do serviço. Ao quebrar um objeto valioso, por exemplo, diga aos donos da casa que vai procurar um restaurador. ‘‘Mas se o conserto for impossível, ofereça uma outra peça para colocar no lugar daquela que quebrou’’, recomenda Janir. É comum derrubar bebida nos móveis ou, por um capricho ingrato da natureza, carimbar o sofá branco com menstruação. ‘‘Chame a dona da casa de lado, conte o que aconteceu, peça uma roupa para trocar e se ofereça para pagar a limpeza.’’
  Outra cena comum: você esbarra com uma pessoa conhecida e ela finge que não te conhece. Leve na esportiva e, se os olhares se cruzarem, cumprimente discretamente.

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