Dependência incômoda
A psicóloga Isabel Cristina Cardoso Benatti diz que o serviço de mãe-motorista pode ser uma faca de dois gumes. A mulher hoje está sobrecarregada e divide-se entre os afazeres domésticos, a profissão e a família. Ela está tão preocupada em não desapontar e em dar atenção aos filhos que pode nem perceber a maneira como está fazendo isso. Segundo a psicóloga, por causa da correria, muitas vezes essa atenção dispensada não tem, para as crianças, o mesmo sentido. Preocupada, correndo de um lado para o outro, pode ficar muito mais evidente para o filho que ele é um incômodo para a mãe, e não o fato de que ela está fazendo com prazer porque é gratificante.
Para essas mães-motoristas, Isabel Cristina sugere observar mais a maneira como elas estão fazendo isso. Da mesma forma que está tentando suprir uma falta, ela pode estar até mesmo prejudicar sua relação com o filho. Segundo a psicóloga, as crianças, dependendo da idade, devem ter a possibilidade de conhecer outros tipos de transporte, andar pelas ruas, locomover-se para exercitar sua independência. Se esse processo é atrasado, a cada dia elas ficam mais dependentes da carona dos pais e com mais dificuldade para encarar isso. Ambos acabam ficando dependentes. Se para as crianças é bom que os pais facilitem a independência, para algumas mães o leva-e-traz diário acaba criando dependência e muitas delas passam a viver em função da vida dos filhos. (C.A.A.)





