Liderci e Adilson venceram a crise graças ao seu cachorrão familiarOutra barraquinha que faz sucesso em Maringá é a de Adilson e Liderci Nascimento. A família sofreu um baque quando Adilson, administrador de um clube, foi demitido após muitos anos de serviço. Com o Fundo de Garantia, eles pretendiam montar um negócio, mas uma das filhas ficou doente e permaneceu internada mais de 30 dias em uma UTI e a família acabou gastando todas as economias. Na hora do sufoco e sem poder contar com nenhum parente, o casal, por sugestão do genro, decidiu abrir um carrinho de cachorro-quente. Eureka! Em apenas um ano revezando-se no trailler que fica numa importante avenida de Maringá, já podem sustentar a família. Essa união em torno de uma esperança fez com que o casal arranjasse vários amigos. Muitos dos clientes, que consomem em média 100 lanches por dia, são casais que adoram lanchar e conversar com Dona Liderci. Ela sempre leu muito sobre psicologia e adora bater papo. É comum ver a criançada do bairro dependurada no trailler, contando suas aventuras e ouvindo as histórias dos ‘‘tios-do-cachorrão’’. Dona Luderci já escreveu histórias infantis para teatro e agora está preparando um livro. ‘‘Enquanto ela prepara nosso lanche vai contando histórias superlegais para a gente’’, diz Clariana Jardim da Silva, 10 anos, uma assídua devoradora de cachorro-quente com batata palha. Para os Nascimento, o cachorro-quente foi uma bênção. ‘‘Quem iria dar emprego para dois aposentados com 57 anos de idade? Esse trailler foi a nossa esperança’’, diz Luderci, que de manhã ainda prepara os temperos, carnes e saladas enquanto cuida de um neto. Eles trabalham das 10 às 24 horas todos os dias, sempre rindo e brincando com os clientes. Conhecem o gosto e os molhos preferidos de cada um deles.
‘‘Pelo menos uma vez por semana, eu e minha família jantamos e conversamos muito aqui na barraquinha. O lanche é delicioso, farto e fresquinho. Tem sabor de infância e ainda nos livramos de fazer o jantar’’, confessa a dentista Graça Pereira, que mora num edifício ao lado. ‘‘Adoramos servir crianças e jovens, eles sempre ensinam muito a gente’’, diz o ‘‘capitão’’ do trailler Adilson Nascimento. Depois das 22 horas, o movimento maior é de jovens e adolescentes, que sempre escutam uns conselhos enquanto lancham.
Nos fins de semana, a barraquinha parece mesmo uma lanchonete. Quando não há cadeiras suficientes, têm clientes especiais como o gerente da videolocadora vizinha, que leva seu banquinho para sentar e comer os cachorrões preparados pelo casal Nascimento.

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