Delícias e conflitos
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quinta-feira, 02 de junho de 2005
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Sair da casa dos pais é o sonho de grande parte dos adolescentes. Quem que, por volta dos 15 anos, não sonhou com a tal independência? Ter liberdade para sair e chegar quando quiser, receber amigos e namorados(as) a qualquer hora e definir as regras da casa? Mas quando a possibilidade de realmente mudar de endereço aparece, muitos acabam mudando de idéia.
Encontrar adultos, por volta dos 30 anos, morando com os pais, é fácil hoje em dia. É a chamada ''geração canguru'' que, contrariando o sonho de juventude, protela a conquista da independência e a formação da própria família. Apesar de trabalharem e terem condições de se manter sozinhos, optam por continuar recebendo os cuidados e as ordens dos pais.
De acordo com a psicóloga Margareth Alves, os motivos para essa atitude são vários. ''Primeiro, os jovens hoje não se preocupam tanto em constituir família. Eles colocam a profissão em primeiro lugar, querem ter estabilidade financeira, para depois se casar. E também tem a questão do conforto total que eles encontram com os pais, além da grande liberdade, uma vez que as famílias já não são mais tão conservadoras'', afirma.
DepressãoNem só os filhos encontram vantagens em não sair tão cedo de casa. Os pais, principalmente as mães, muitas vezes preferem manter os rebentos debaixo da asa. ''A saída dos filhos é sempre difícil, é um momento de mudanças para o casal, que se vê sozinho em casa, sem a razão de suas preocupações e atitudes. É a chamada síndrome do ninho vazio, que afeta principalmente as mulheres e pode levar à depressão. Com os filhos em casa, tem-se a sensação de não envelhecer'', explica Margareth.
A decisão, que a princípio parece vantajosa para pais e filhos, pode trazer complicações para o relacionamento em família e para o desenvolvimento pessoal dos jovens. ''Do ponto de vista emocional, o filho muitas vezes não tem a preocupação de crescer. Se torna uma pessoa que sente dificuldade em aceitar críticas, em ser contrariado. É um adulto que apresenta atitudes de adolescente. Muitos são inseguros e não sabem adimistrar o dinheiro que ganham, outros, em especial os homens, têm problemas para se relacionar com o sexo oposto, sendo muito tímidos ou muito volúveis'', comenta a psicóloga.
CrescimentoPara Margareth, não existe uma fórmula certa para que as famílias determinem qual a hora ideal para sair de casa ou como agir com os filhos que decidem ficar. ''O mais importante não é qual a idade certa para sair de casa, mas, sim, encontrar uma situação que seja confortável para todos e na qual os filhos possam crescer como pessoas, preparados para encarar a vida'', afirma.
Uma boa dica para os pais é delegar aos filhos algumas responsabilidades que aparecem quando se mora sozinho ou se constitui uma família. ''Muitos pais cobram pouco e deixam os filhos fazer o que querem. Distribuir tarefas conforme o amadurecimento é uma boa atitude. Tanto obrigações financeiras como domésticas podem fazer parte de uma espécie de acordo feito depois que os pais conversarem com os filhos. Outro ponto que deve ser lembrado é que mesmo sendo adultos, o respeito pelos pais e a noção de hierarquia dentro da casa precisam ser mantidos.''


