Delícia de inverno
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Assado ou cozido, é difícil achar quem não goste de pinhão. A iguaria começa a ficar disponível nos supermercados e bancas de rua junto com os primeiros dias frios e nos faz companhia até a chegada da primavera. Embora a maioria de nós prefira saboreá-lo puro, existem inúmeras receitas, doces e salgadas, que têm o pinhão entre seus ingredientes.
Para popularizar essas delícias, a Embrapa Florestas, em Colombo, lançou o livro "Pinhão na Culinária", com 100 formas diferentes de consumo da semente. São 67 receitas salgadas e 37 doces, todas ilustradas e com valor nutricional, tempo de preparo, rendimento, calorias por porção e dicas culinárias. Cristiane Helm, química e pesquisadora da Embrapa, é uma das autoras do livro, juntamente com Rossana Catie Bueno de Godoy, Maria de Fátima de Oliveira Negre, Geise Liandra de Andrade de Siqueira e Lídia Maria Mendes.
De acordo com a pesquisadora, o pinhão é a semente da araucária ou pinheiro-do-paraná, planta típica do sul do Brasil. "Os indígenas já se alimentavam de pinhão. Hoje é uma espécie em extinção, temos poucos exemplares e por isso é preciso plantar mais araucárias. Inclusive estamos estudando a adaptação da planta a outros climas, já que ela se desenvolve melhor em lugares mais frios e mais altos", explica.
A araucária leva em média 10 anos para começar a produzir o pinhão e outro objetivo dos pesquisadores é criar plantas que produzam a partir do sexto ano. Embora a gralha-azul seja um dos animais que ajudem na reprodução da árvore, Cristiane explica que pequenos roedores também são responsáveis por isso, além da própria araucária. Os pinhões ficam agrupados na pinha, uma bola com cerca de 20 centímetros de diâmetro e quando madura, ela "explode", liberando as sementes. Já aquela pinha usada em enfeites de Natal são de outra espécie de pinheiro, explica a pesquisadora.
Além de gostoso, o pinhão também é altamente nutritivo e, por não conter glúten, é uma opção para quem não pode consumir a proteína. "A semente tem alto teor de amido e de fibras. Além disso, contém minerais como cobre, zinco, manganês, ferro, magnésio, cálcio, fósforo, enxofre e sódio. Também tem os ácidos graxos ômega 6 e ômega 9, que contribuem para a redução do colesterol no sangue. Só é preciso cautela no consumo devido ao valor calórico", recomenda Cristiane.
Preparo
As sementes podem ser cozidas em água na panela de pressão por meia hora (contada após "pegar" pressão) ou assadas no forno ou chapa do fogão a lenha. Como é difícil conservar o pinhão cru de um ano para o outro, a recomendação de Cristiane é que depois de cozido, descascado e frio ele seja macerado ou triturado em liquidificador ou processador de alimentos. A farinha resultante pode ser congelada por até um ano em freezer. Embora usualmente as pessoas descasquem as sementes mordendo a parte de trás ou usando uma faca, já existem descascadores próprios.
"É uma farinha mais úmida, pois não passou pelo processo de secagem em estufa, feito comercialmente. Ela pode ser usada pura em pães, bolos e biscoitos para quem tem intolerância ao glúten. Também é possível substituir metade da farinha de trigo nas receitas para quem não tem restrição (ao glúten)."
Serviço
Livro: Pinhão na Culinária
Editora: Embrapa Florestas
Páginas: 137
Preço: R$ 15 + taxas dos Correios
Vendas: pelo e-mail [email protected]
Aprenda a fazer duas receitas deliciosas com pinhão.
Mousse de pinhão com chocolate Torta creme de couve-flor e pinhão


