Uma visão danificada pode nos privar de muitas coisas. De atos simples, como ler, ver televisão, dirigir e até uma convivência social plena. E não são poucos os problemas de visão que podem acometer as pessoas em qualquer idade. Entretanto, existe uma doença relacionada especificamente ao envelhecimento – a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), que pode surgir a partir dos 50 anos, mas é mais comum depois dos 60, segundo o médico oftalmologista Marcelo Casella.
‘‘Em 10% dos casos, o paciente perde a visão central de forma progressiva e lenta, fazendo com que os objetos sejam visualizados de forma distorcida – uma linha reta começa a ficar torta – além de perda da visão de detalhes e cores’’, explica o médico. Calcula-se que nos Estados Unidos existam atualmente 116 mil casos de cegueira legal produzidos pela doença e que, anualmente, mais de 1.600 novos casos apareçam. No Brasil, existe uma projeção que aponta 800 mil portadores de DMRI – 37 mil casos só de cegueira legal e 5 mil novos casos aparecendo anualmente. No mundo, estima-se a existência de 30 milhões de portadores da doença.
Não resta dúvida que assim como o resto do corpo, os olhos também envelhecem e em se tratando da DMRI, o maior fator de risco é a idade. Mas existem outras causas desencadeantes, como maior incidência em mulheres, em pessoas da raça caucasóide e íris clara, portadores de hipertensão arterial, cardiopatas, fumantes, hipermétropes, além da exposição exagerada ao sol. A observação de alguns desses fatores pode funcionar como prevenção já que a doença ainda não tem cura.
‘‘A degeneração senil pode causar sintomas diferentes em pessoas diferentes, e pode ficar quase imperceptível nos seus estágios iniciais. Às vezes, apenas um dos olhos perde a visão, enquanto que o outro continua a enxergar bem durante muitos anos’’, explica Casella. Mas quando os dois olhos são afetados, a perda de visão central pode ser constatada mais rapidamente. Essa doença afeta tanto a visão de longe como de perto, mas não prejudica a visão lateral do olho, ou seja, a pessoa pode ver o contorno de um relógio e ser incapaz de enxergar a hora.
‘‘Até agora não existe cura para a degeneração macular relacionada à idade, mas existem alguns tratamentos que podem amenizar a doença ou retardar seu agravamento’’, observa Marcelo Casella. Uma das poucas formas de tratamento que se mostrou eficaz em alguns poucos casos foi a terapia fotodinâmica, espécie de tratamento a laser, através do qual injeta-se um medicamento endovenoso e irradia-se a retina. Essa luz ativa o contraste que foi injetado na veia, promovendo a oclusão dos vasos anormais. ‘‘O tratamento é de alto custo e está começando a ser utilizado em alguns centros médicos do País. Uma outra forma de tratamento vem sendo pesquisada e parece bastante promissora, com um custo mais acessível. Nos próximos meses, Marcelo Casella estará recebendo o equipamento que permitirá esse tratamento, integrando um grupo de pesquisa formado por vários especialistas brasileiros em retina. (A.R.B)

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