Reprimir uma criança extremamente inquieta, sem saber qual o motivo de seu comportamento, pode agravar muito mais o problema se ela for portadora de transtornos de déficit de atenção e impulsividade. Em torno de 3% a 5% das crianças em idade escolar apresentam esse distúrbio, que precisa ser corretamente diagnosticado e tratado, para que elas possam ter uma vida normal.
Os transtornos de déficit de atenção têm origem genética e interferem na aprendizagem e nos relacionamentos, pois a criança se torna dispersa e inquieta, impulsiva, não aceita limites e se frustra com facilidade. ''É a criança que mexe em todos os brinquedos ao mesmo tempo. Não se atém a uma determinada brincadeira, age de forma estabanada, sem pensar, inicia e interrompe atividades abruptamente'', define a neuropediatra Newra Tellechea Rotta, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Os sintomas podem ser percebidos nos primeiros anos de vida, mas se tornam mais evidentes na idade escolar.
''Como são crianças normais sob o aspecto intelectual, devido a esse comportamento impulsivo, não conseguem bons resultados, o que leva a uma frustração constante, aumentando a ansiedade e rebaixando a auto-estima'', explica a médica. A repressão a suas atitudes, sobretudo quando os pais desconhecem o problema, agrava ainda mais a situação, pois a criança se sente agredida, uma vez que não está agindo de forma premeditada.
Além de ser um problema em si, com todas as angústias e frustrações que causa, o déficit de atenção leva a uma maior propensão ao mau rendimento escolar, dificuldade de relacionamento, delinquência, acidentes de automóvel, abuso de álcool e drogas. Para evitar tudo isso, é necessário identificar a situação, entender a posição da criança e buscar soluções.
Mas, nem toda criança muito agitada apresenta déficit de atenção e impulsividade. Muitas vezes, atitudes semelhantes podem ser apenas reflexos de transtornos emocionais ou físicos. ''Para o diagnóstico correto, considera-se que os sintomas devem estar presentes por mais de seis meses, sendo alguns deles anteriores à idade de sete anos, e percebidos em mais de um lugar, como em casa e na escola, resultando em dificuldades sociais e acadêmicas'', esclarece a médica.
O tratamento envolve medicamentos psicoestimulantes e antidepressivos, que estimulam o nível de atenção, fazendo com que a criança fique menos inquieta e mais atenta. ''É frequente que os remédios sejam necessários só até a puberdade, solucionando-se o problema. Em alguns casos, porém, precisam ser administrados até a fase adulta'', destaca a médica. n

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