Ele é considerado o mais limpo dos instrumentos musicais e também um dos mais clássicos, servindo até mesmo de peça decorativa em belas mansões. É nele que muitos compositores criaram suas obras-primas. Em épocas passadas, quando ainda não havia o toca-discos e os DJs, era ele que animava as festas. Impossível ver um piano e não sentir vontade de chegar mais perto e tocar uma tecla; irresistível não parar para ouvir quando um pianista toca.
Porém, mais do que agradar os ouvidos e acalmar a alma, estudos mostram que aprender a tocar o instrumento ajuda também a coordenação motora, auto-disciplina, auto-confiança, estímulo da linguagem, memorização, criatividade e socialização. Uma equipe de pesquisadores americanos explorou a ligação entre música e inteligência e descobriu que a prática do piano é muito superior à computação com relação ao aumento da habilidade de raciocínio complexo, necessário para o aprendizado de matemática e ciências.
Os resultados são ainda mais animadores quando a música faz parte do cotidiano dos pequenos. Experiências com três grupos de crianças pré-escolares, um dos quais recebeu aulas de piano e canto; outro, aulas de computação e o último, nenhuma aula, mostrou que aquelas que tiveram as aulas de piano alcançaram resultados 34% maiores nos testes que mediram as habilidades temporal-espacial em relação às demais.
A professora de piano Norma Regina de Andrade acredita em todos esses benefícios. E criou um jeito todo especial para que seus alunos não desistam das aulas (o piano é um instrumento que exige dedicação e o curso completo leva cerca de 12 anos). ''Sempre gostei de ensinar musicalização e piano para crianças porque acredito que, quando a base é boa, elas seguem em frente depois'', diz.
Ela recebe alunos a partir de 4 anos de idade e usa nomes simpáticos e desenhos agradáveis para ensinar. ''Chamo os dedos das meninas de 'bailarinas' e dos meninos de 'atletas' que precisam ser exercitados. As notas musicais são os amiguinhos e as estrelas ensinam o caminho das notas. Digo para eles que o piano está quieto e que precisamos dar vida para ele tocar. Ensino a importância e o prazer de se aprender a tocar o piano'', afirma.
A aluna Ana Luiza Dequech Queiroz, 5 anos, é prova de que o método funciona. ''Gosto das aulas porque tem estrelinhas para a gente pintar em casa'', diz. ''Ela gosta tanto que fica me perguntando a semana toda quando é o dia da aula. Para mim, o piano é tão importante para o desenvolvimento dela quanto um curso de inglês ou a prática de um esporte'', garante a mãe, a arquiteta Adriana Dequech Queiroz.
Por ser um instrumento bastante visual, a professora garante que o piano se torna mais fácil para os pequenos. ''Nas primeiras aulas fazemos apenas uma exploração dos sons do piano. A criança vai olhando a tecla e identificando onde ficam os mais graves e os agudos. Unir o lado teórico com a prática é muito importante para incentivar os alunos'', afirma Norma.
''Eu toco flauta também porque aprendi na escola, mas o piano é mais legal'', diz a pequena Izadora Feijó, 7 anos.
E como todo pai sonha em ver o filho se apresentando em público ou pelo menos para os parentes e amigos, Norma promove todo mês um encontro entre todos os alunos para uma aula cultural. ''Nela, todo mundo se apresenta para o resto do grupo. Não é uma prova ou competição, apenas um encontro. É importante ensinar levando em conta sempre as coisas boas, e não os erros. Quando uma criança erra uma nota, procuro lembrá-la que antes disso ela acertou várias'', diz. Na casa da psicóloga Sueli Rizzi, o fascínio em tocar piano é tanto que suas filhas, Giovana, 12 anos, Laura, 7, e Gabriela, 5, chegam a brigar para conseguir a vez no instrumento que têm em casa. ''A Giovana começou a estudar piano há cinco anos e as duas irmãs se animaram ao vê-la e decidiram fazer também. Elas adoram a aula e ficam tocando uma para a outra, e tocam direitinho'', garante a mãe. ''Lembrar as notas certas é um pouco difícil, mas quero estudar piano para sempre'', confessa Laura.

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