Decorar sem pressa
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quinta-feira, 18 de setembro de 2003
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Mais que escolher a disposição dos móveis nos espaços da casa, decorar é personalisar um ambiente. ''Dar a ele a sua cara, o seu jeito'', resume o arquiteto Marcelo Melhado. Na última segunda-feira, ele falou sobre ''Erros e acertos na decoração'' para os proprietários de apartamentos da Construtora Plaenge. A palestra, segundo os organizadores, teve um tom informal e foi voltada para pessoas que estão planejando a decoração de seus apartamentos ou que são interessadas no assunto. O encontro aconteceu na Central de Decorados da Construtora, na Gleba Palhano, zona sul de Londrina.
Melhado destaca que decoração não se faz do dia para a noite. Por isso, o ideal é se pensar numa casa ''para o resto da vida''. O primeiro passo é a análise do espaço, as potencialidades que ele oferece. Hábitos, costumes e ritmo de vida dos moradores são itens importantes que não podem ser desprezados. ''O ambiente precisa dar conforto e ser acolhedor'', resume. A composição do projeto começa a partir da elaboração de um layout, onde se leva em conta também a infra-estrutura da casa: paredes, pisos, mobiliário.
Não se perder em modismos é, para o arquiteto, uma regra básica. ''Modismos são muito passageiros. Diferente de roupas, o móvel fica'', alerta. Ele admite que, como a moda, a arquitetura também tem um mercado de tendências, com orientações do que vai ser mais usado. Mas não é preciso seguir ''à risca'' tudo o que se vê, pois a casa tem muito mais a ver com a personalidade do morador e com o aconchego que ela oferece. ''Personalidade é muito importante. Prefiro uma decoração com a cara do dono da casa a uma decoração que nada tenha a ver com ele. O importante é a pessoa se sentir bem no lugar onde mora'', diz. Para os que estão antenados com as tendências, Melhado tranquiliza: ''o novo se insere em detalhes''.
Madeiras Uma casa gostosa, na opinião do arquiteto, deve ter uma mistura de estilos, formas, texturas. ''Daqui há 20 anos ela vai continuar atual'', garante. Ele cita ainda o exemplo das madeiras. A moda pede tons escuros, mas a riqueza da flora brasileira oferece uma variedade de tonalidades, ''todas muito bonitas'', que não podem ser desprezadas. Por isso, não pergunte qual madeira está se usando, mas, sim, qual você gosta. ''Na Europa, tudo é sintético. Aqui não! Temos madeira de verdade''.
Como exemplos de erros comuns o arquiteto cita a colocação de grandes peças, como os sofás, em ambientes pequenos. Ou ainda a escolha de móveis retirados de revistas ou mostras de decoração que, apesar de estarem maravilhosos naqueles locais, podem não combinar com o que a sua casa oferece ou com o arranjo final que você deseja. ''Não precisa ter pressa'', aconselha.
O que vem da natureza, como couros, madeira, fibra natural, seda, algodão e sisal não são modismos e muito menos estão ultrapassados. ''São eternos'', sintetiza Marcelo Melhado. Quanto ao conceito de conforto e morar bem, o arquiteto destaca que independe de classe social. Por isso, ele não poupa críticas à indústria de móveis populares. ''Por que o mobiliário das pessoas de menor renda tem que ser tão feio, com cores berrantes, frágil e ainda desconfortável?'', questiona. A indústria, para ele, deveria se voltar mais para o conforto.
Para acertar, Melhado sugere a consulta de revistas, especialmente para se ter noção de espaço e perceber peças que se repetem. É interessante também conversar e observar bastante. Ele destaca que há bons e competentes profissionais atuando no mercado. No entanto, a cautela, a crítica e a confiança são fundamentais para o sucesso do trabalho. ''Exija respeito à sua vontade'', finaliza.


