A moda diz que os cabelos cacheados estão em alta. Nos últimos desfiles era possível ver modelos com vastas cabeleiras, cheias de volume e atitude. Mas os lisos continuam sendo o sonho de muitas mulheres, que não medem esforços para ter cabelos macios e sedosos e se alegram com as novas tecnologias e produtos do mercado.
Várias alternativas já surgiram prometendo resolver o problema dos cabelos rebeldes. A última delas é a escova progressiva, que surgiu há cerca de um ano e se tornou coqueluche nos salões de beleza de todo o País. Mas o que parece ser a realização de um sonho, uma vez que a técnica alisa os fios e dá brilho, pode se transformar em pesadelo.
O problema está na composição do produto que alguns cabelereiros usam. Laércio Schneider, especialista em cabelos afro-étnicos, afirma que muitos profissionais estão utilizando o formol como princípio ativo para alisar os fios. ''É um procedimento de risco porque o formol é muito tóxico, é foi proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para esse fim. Ele só pode ser usado como conservante em pequenas quantidades'', alerta.
Riscos Dentre os perigos do uso do formol nos cabelos estão irritação e queimadura no couro cabeludo, perda de cabelo, irritação nos olhos, dor de cabeça, tosse e falta de ar, além de ser considerado pela Organização Mundial de Saúde como um agente cancerígeno. ''Quando aplicado nos cabelos sob o efeito do secador ou da prancha de alisamento, o formol é liberado em forma de gás que é inalado tanto pelo cliente quanto pelo profissional, com danos para ambos. Eu mesmo, na época em que usei essa substância sem saber que era perigosa, tive irritação nos olhos e uma luva perfurada, comenta Laércio.
Segundo ele, o problema está na clandestinidade, uma vez que os produtos não têm autorização da Anvisa e são preparados sem controle. ''Tem cabeleireiro que pega o formol, mistura com queratina e passa nos cabelos dos clientes, além de outros que fazem essa mistura e a vendem pronta. Não há ninguém responsável no caso de dar algum efeito colateral'', alerta. O cabelereiro diz que algumas fórmulas chegam a ter 37% de formol na composição.
Outros tratamentos, como relaxamento e alisamento, não são proibidos porque utilizam a amônia como princípio ativo, que não danifica tanto os fios. ''O formol, além de ser prejudicial à saúde, também estraga o cabelo porque retira a cutícula protetora do fio. Com o tempo, o aspecto liso do cabelo vai saindo e os fios vão ficando sem brilho, ressecados e sem cor'', afirma Laércio.
Caso real A dentista Rosana Rossetto tem o cabelo crespo e volumoso e diz que já teve algumas decepções com técnicas de alisamento. ''Teve uma vez que fiz alisamento e meu couro cabeludo ficou todo machucado. Tem muitos cabeleireiros que não sabem trabalhar com cabelo crespo e não fazem cursos para se aperfeiçoar'', afirma.
Para tentar se proteger na hora de tratar as madeixas, Laércio dá algumas dicas. ''Quando for fazer a escova, a cliente deve pedir para verificar os produtos que serão usados e observar o profissional preparando a mistura. Observar na embalagem se existe um serviço de 0800 e autorização de comercialização. Outro fator que ajuda a identificar o formol é o cheiro, que é bastante conhecido e muito forte'', ensina.
E mesmo com todos os cuidados do cabeleireiro, Laércio lembra que é importante tratar regularmente no salão ou em casa. ''Quem tem cabelo cacheado ou crespo precisa sempre fazer hidratação e usar produtos de boa qualidade. Também é importante respeitar o período de três meses entre uma aplicação dos produtos e outra.''

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