De volta ao passado
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quinta-feira, 14 de julho de 2005
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
''Estudos mostram que mais de 50% da população de países em desenvolvimento já foi infectada pelo bacilo de Koch, que provoca a tuberculose. Claro que nem todas desenvolvem a doença, provavelmente apenas 10% daquelas que contraíram o bacilo. Ele se aproveita de um momento de baixa resistência do organismo para atacar'', explica do pneumologista Denison Noronha Freire.
Assim, uma doença antiga, que matou muitas pessoas e foi personagem de inúmeros romances de séculos passados (afetando inclusive muitos de seus autores), ainda é muito real em pleno século 21.
Problemas como estresse, diabetes, complicações renais ou cardíacas, além de problemas pulmonares, podem desencadear essa doença infectocontagiosa, que ainda pode ser fatal se não for tratada a tempo.
Em todo o corpoOutra informação pouco conhecida é que a doença não ataca apenas os pulmões. ''A tuberculose pode aparecer em qualquer parte do corpo. Nos olhos, nos ossos, no intestino, nos órgãos genitais'', afirma o pneumologista. Isso porque depois de entrar no organismo, o bacilo pode atingir o sistema circulatório e migrar para outras regiões. ''A maioria dos casos realmente afeta os pulmões porque o bacilo é aeróbico e transmitido por gotículas de saliva contaminada, se alojando primeiramente nos pulmões. De 100 pessoas que desenvolvem a doença, cerca de 90 são atacadas no pulmão'', esclarece.
Mas nem sempre a tuberculose esteve tão presente. O especialista diz que por volta de 1980 a doença estava sob controle, e aponta dois motivos para o aumento dos casos. ''Primeiro acho que foi o descaso do poder público, que não investe em saneamento, higiene e programas de esclarecimento à população. O governo não alerta e as pessoas ficam achando que a doença nem existe mais. Outro fator que contribuiu bastante foi o aumento dos casos de Aids. A doença baixa a imunidade, favorecendo o surgimento da tuberculose'', diz o médico. ContágioSem informação correta ou tratamento adequado, o especialista diz que não é raro encontrar pacientes que estão com a doença há meses e em estágio avançado. ''Como a tuberculose só é transmitida quando está ativa, isso significa que todas as pessoas que conviveram com esses pacientes no período sintomático podem ter adquirido o bacilo e desenvolver a doença a qualquer hora'', alerta.
A tuberculose pode ser evitada com a vacina BCG, que tem garantia de dez anos e é dada gratuitamente nos postos de saúde. ''Mas estudos mostram que na fase adulta não basta tomar o reforço, que não tem tanta eficácia quanto a primeira vacina na infância. O ideal é detectar os casos de contaminação e tratá-los corretamente'', diz.
Para se descobrir se a pessoa está infectada é necessário fazer o teste tuberculínico (PPD). Caso ele dê positivo são feitos teste de escarro e radiografia dos pulmões, que mostram se a doença está latente ou não. Se o paciente já tiver desenvolvido a tuberculose, pessoas que tiveram contato de alto risco com ele também precisam fazer os exames. ''Os postos de saúde fazem os testes gratuitamente, mas as pessoas não precisam ficar apavoradas. O importante é ficar atento aos sintomas característicos da tuberculose tosse, febre, perda de peso e sudorese e desconfiar de infecções em outros órgãos que não saram.''


