Dê um tempo às rugas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de junho de 2002
Rosângela Vale 
No Oscar, nove entre dez beldades usavam tomara-que-caia. Como as estrelas hollywoodianas ditam moda, milhares de mulheres dos quatro cantos do mundo devem seguir a tendência ao escolher o modelito de festa. A boa notícia é que, graças aos avanços da medicina estética, o modismo não vai ficar restrito apenas àquelas que ainda não sofrem os efeitos do tempo. Consagrada como atenuante de rugas e linhas de expressão, a toxina botulínica ganhou, agora, um uso mais amplo: pode ser aplicado no colo, para eliminar as rugas de decote e também melhorar os temidos colares de rugas no pescoço.
O anúncio dos novos usos do botox (nome dado à toxina pelo laboratório Allergan) não poderia ter vindo em melhor hora, pelo menos para as mulheres que ainda tinham certo temor em se submeter à medicação. É que em abril desse ano, a medicação foi liberada pelo Federal Drugs Administration (FDA), órgão norte-americano de fiscalização da saúde pública. No Brasil, o uso do botox para fins estéticos já tinha sido aprovado pelo Ministério da Saúde há cerca de oito anos.
É importante saber, entretanto, que nem todas as rugas são eliminadas com botox, apenas as dinâmicas, aquelas que aparecem com a movimentação dos músculos da face, principalmente ao redor dos olhos e da boca. No pescoço, ele vai dar uma relaxada no músculo chamado platisma, suavizando as rugas. No colo, há um estudo em andamento para descobrir a perfeita indicação do medicamento, mas já se sabe que as rugas profundas não vão ser eliminadas com o botox, avisa a médica dermatologista Maria Regina Corzânego do Amarante.
Sem milagres De acordo com ela, as rugas estáticas, relacionadas à idade e ao fotoenvelhecimento (aquelas que aparecem mesmo quando a pessoa está sem expressão facial), só são removidas com outros tratamentos, como peeling e preenchimentos (ler texto na página...). Se houver flacidez, apenas a cirurgia plástica resolve. Por isso, é fundamental uma avaliação clínica minunciosa para que o especialista possa observar a mímica de cada paciente, ouvir as expectativas e esclarecer o que pode ou não ser feito com o botox.
As aplicações são feitas com agulhas bem fininhas e podem ser precedidas de anestesia tópica. Maria Regina avisa que o efeito estético aparece a partir de 72 horas, mas o botox continua agindo por 21 dias. Depois desse prazo, o resultado se estabiliza. A quantidade de medicação aplicada é que vai determinar o efeito. Procuro sempre suavizar a expressão para evitar aquela cara mumificada, observa a dermatologista.
Ela explica que o botox interrompe a ligação nervo-músculo (sinapse), provocando uma cisão no estímulo nervoso. O tempo que o organismo vai levar para refazer as sinapses depende das características individuais. A média de permanência da paralisação dos músculos é de seis meses, mas há pacientes que perdem o efeito aos três meses, e os que demoram até um ano, diz. Duas vezes por ano, portanto, é a frequência ideal para repetir as aplicações. Estudos mostram que não se deve fazer a reaplicação do botox antes de três meses porque se cria uma resistência no organismo. Na hora que a pessoa precisar do botox para tratar outras patologias, a medicação não vai fazer efeito, informa a dermatologista. A toxina botulínica também é usada em tratamentos neurológicos, de espasticidades e no estrabismo. É eficaz ainda para a peridrose (suor excessivo nas regiões dos pés, mãos e axilas).
Queda de pálpebra O procedimento é simples. As aplicações são feitas na clínica e a paciente vai para casa em seguida. A única recomendação é permanecer na posição ortostática (reta, sem abaixar nem deitar) durante quatro horas. É o tempo que a medicação leva para entrar na fibra e fazer efeito. Ao movimentar-se indevidamente, a pessoa pode fazer com que o botox vá para outros músculos, causando, por exemplo, queda de pálpebra, avisa Maria Regina, lembrando que o desastre só é revertido depois de passado o efeito da medicação, ou seja, seis meses. Outro inconveniente é que, por acidente, o médico pode atingir um vaso sanguíneo na superfície da pele e provocar uma mancha roxa, que desaparece depois de uma semana.
Depois de experimentar o toque rejuvenescedor do botox, a maioria vira freguês. Paciente de botox é fiel. No começo, a faixa etária era de 40 anos. Hoje, jovens a partir dos 22, que têm muita mímica, estão fazendo botox como uma forma de prevenção de sulcos mais profundos, ressalta a dermatologista. Cada sessão custa em torno de R$ 600,00, o que significa que a conta anual, para melhorar aquelas ruguinhas indesejáveis, fica em R$ 1.200,00. Outro público que engrossou as estatísticas do botox é o masculino. Os homens não são tão adeptos da plástica como as mulheres. E o botox é um aliado dos carecas, que não tem onde esconder as marcas de uma possível cirurgia plástica, observa Maria Regina.
Ficha Técnica
Foto: Dorico da Silva; modelo Roberta Sonneberg; cabelo: Dorilde; maquiagem: Clarice/Maristela e Moçambique Cabeleireiros


