De trem, avião, navio ou ônibus
O arquiteto João Baptista Bortolotti, de 79 anos, e sua esposa, a bioquímica Eresvita Maria Bettoni Bortolotti, de 74, já visitaram diversos lugares, muitos deles pouco convencionais, como o Deserto do Atacama. O casal conta que sempre viajou bastante, geralmente acampando com os filhos, isso quando não ficavam no apartamento que a família tinha na praia.
"Nos aposentamos em 1998 e em março fomos para a Europa em um cruzeiro. O navio estava voltando e o valor da passagem é bem menor. Fomos só com a passagem de ida e acabamos ficando dois meses por lá. Passamos por diversos lugares, visitamos toda a Itália e conhecemos também a Espanha e a França, já de trem. Por fim, pegamos um avião em Lisboa e voltamos ao Brasil", conta ele.
Bortolotti explica que o casal sempre gostou de viajar sem o auxílio de agências. Quando chegavam na estação de trem pediam informações e encontravam um hotel. "Para nós o pacote é estressante, tem muito horário marcado, é algo sem liberdade. Às vezes resolvíamos ficar um dia a mais ou a menos, não tínhamos muito roteiro."
Eresvita conta, porém, que uma vez fizeram um pacote para a Grécia, a partir de Roma, e a experiência foi muito válida. "Na Grécia foi ótimo, são muitas ilhas e ter um guia facilitou, pois não perdemos tempo. E alguns lugares não teríamos conhecido sozinhos", garante.
Outra viagem marcante foi ir de ônibus até Buenos Aires, na Argentina, e de lá pegar um navio até Ushuaia. Bortolotti destaca que, se a pessoa pensa na viagem como o trajeto também, um percurso tão longo de carro ou ônibus não se torna desagradável.
Ele diz que nunca se sentiram desamparados viajando sozinhos talvez por estarem habituados a isso desde jovens, mas ressalta que a idade é um fator que deve ser levado em consideração.
"Não sei se faríamos esse cruzeiro sozinhos novamente. Conforme a idade vai chegando, vai pesando. Há problemas que acontecem durante a viagem e a pessoa tem que ter a capacidade de resolver. Por isso, os cruzeiros são fantásticos, você tem tudo no mesmo lugar, não precisa ficar carregando malas. O hotel, os restaurantes, tudo vai até você. E ainda assim é possível conhecer lugares maravilhosos", argumenta.
Há pouco mais de dois anos o casal abriu uma exceção e foi com a família em uma viagem para os Estados Unidos com o apoio de uma agência. A próxima deve ser para Machu Picchu, no Peru, agora em dezembro, também na companhia dos filhos e netos. Mais uma vez o roteiro será elaborado por Bortolotti, que deve incluir as linhas de Nazca e o Lago Titicaca, outros pontos turísticos importantes. E o pique para uma viagem que reconhecidamente exige fôlego? "Três meses antes a gente vai para a academia e toma umas vitaminas para ganhar resistência física", conta rindo. (E.G)






