Segundo a Sociedade Brasileira de Otologia, a cada cem crianças que precisam de UTI neonatal entre duas e quatro apresentam perdas auditivas. Apesar dos números serem considerados altos, a solução e o tratamento dos problemas estão cada vez menos complexos e mais acessíveis. O teste da orelhinha deve ser realizado nas primeiras 48 horas de vida de todas as crianças nascidas em hospitais brasileiros. Aquelas que nascem fora do hospital também têm o direito ao exame garantido. Indolor, o exame é fundamental para diagnosticar perdas auditivas e, conforme o médico otorrinolaringologista Lucio Takemoto, quanto mais cedo o problema for identificado, maiores são as chances de tratar e reverter a situação.
"O teste da orelhinha vai indicar se a criança apresenta algum deficit de audição, mas mesmo assim os pais devem ficar atentos ao comportamento das crianças, que pode apontar que há alguma perda auditiva", orienta Takemoto. Ele explica que desde os primeiros meses a criança precisa demonstrar algumas reações ao som. "O recém-nascido acorda diante de um som forte como o bater de uma porta e se acalma diante de uma música tranquila. Aos três ou quatro meses, o bebê já começa a prestar atenção à voz da mãe e aos dois anos é normal que ele fale algumas palavras", afirma. O otorrino destaca que as crianças que começam a falar e depois param e aquelas que não respondem ao chamado dos pais precisam ser reavaliadas pelo médico.
A perda de audição pode estar relacionada ao fator hereditário e por este motivo algumas crianças nascem com o problema e outras o desenvolvem ao longo da infância. No entanto, há situações em que a perda auditiva está relacionada a infecções, por isso Takemoto destaca a importância das mulheres manterem as vacinas em dia. "A rubéola e a toxoplasmose são doenças que podem estar relacionadas com a perda da audição", afirma. A primeira pode ser prevenida com vacina e a segunda com hábitos de higiene e lavagem adequada dos alimentos que serão consumidos crus.
A situação é preocupante, mas nem todas as perdas auditivas da infância são permanentes. Em alguns casos, a dificuldade de escutar se deve ao excesso de cera, o que requer uma limpeza realizada por um profissional. Algumas infecções e o crescimento da adenóide também podem desencadear dificuldade de audição - nestes casos o tratamento adequado resolve a questão.
Takemoto explica que a audição interfere diretamente no desenvolvimento, socialização e aprendizado e que pesquisas apontam que a criança surda tem o desenvolvimento cognitivo mais prejudicado do que a criança cega, por exemplo. "O quanto antes conseguirmos diagnosticar e recuperar a audição desta criança, mais próxima da normalidade cognitiva ela estará", salienta. Atualmente há aparelhos auditivos que são indicados até mesmo para crianças com apenas seis meses de idade; o implante coclear também pode ser feito na infância e em alguns casos a criança desenvolve a linguagem normalmente após a realização do procedimento.

Imagem ilustrativa da imagem De ouvidos bem abertos
Imagem ilustrativa da imagem De ouvidos bem abertos
As crianças que começam a falar e depois param e aquelas que não respondem ao chamado dos pais precisam ser reavaliadas pelo médico



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