De orelhas novas
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quinta-feira, 17 de abril de 2014
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
A operadora de câmbio Fernanda Reis, de 40 anos, faz parte de uma porcentagem de 8% da população que nasce com orelhas de abano (leia mais nesta página). Para algumas pessoas, a característica não é sinal de problema, mas para outras as orelhas proeminentes incomodam muito. Geralmente a dificuldade de lidar com esta peculiaridade aparece no início da vida escolar e é justamente nesta fase que a maior parte das cirurgias plásticas de otoplastia são realizadas.
O conselheiro vitalício da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e especialista em otoplastia, Juarez Avelar, explica que a idade ideal para fazer a cirurgia de correção das orelhas de abano é após os 6 anos, quando a criança já tem consciência da deformidade. Ele acrescenta que é comum algumas crianças nascerem com orelhas de abano e não apresentarem esta característica mais tarde. "A orelha pode mudar naturalmente, este é um dos motivos pelo qual nós não fazemos o procedimento antes dos 6 anos de idade", completa.
O cirurgião plástico Alexandre Marangão destaca que a cirurgia de otoplastia é mais comum entre os meninos. "Eles nos procuram mais precocemente por conta do cabelo curto que evidencia esta característica", afirma. Conforme ele, as meninas conseguem esconder as orelhas entre os cabelos por mais tempo, mas geralmente optam pelo procedimento cirúrgico quando chegam na adolescência. Marangão acrescenta que a beleza é relativa e a otoplastia só é indicada a partir do momento que a pessoa se incomoda com esta questão. "A cirurgia não deve ser feita para sanar um desejo dos pais, mas sim para melhorar a condição de vida social da criança", aponta.
A cirurgia de otoplastia é considerada simples e dura cerca de duas horas. "Em crianças com mais de 9 anos fazemos o procedimento com anestesia local, mas sempre em ambiente hospitalar", ressalta Marangão, destacando que no caso das crianças menores a melhor opção é pela anestesia geral. Ele acrescenta que o procedimento tem um risco baixo, mas o paciente deve fazer todos os exames pré-operatórios necessários, como em outras cirurgias.
A recuperação é considerada tranquila. Juarez Avelar afirma que existem vários tipos de curativos e que ele opta pela colocação de gesso na parte externa da orelha. "O paciente fica com o gesso por duas semanas. Além de manter a forma definida durante a cirurgia, isso evita que o paciente deite de lado na hora de dormir e deforme a orelha", explica. Após uma semana, a pessoa pode retornar às suas atividades normais.


