Foi durante a leitura de um livro que a psicóloga Cristiane Vercesi decidiu que batizaria a filha de Isadora, como a bailarina norte-americana Isadora Duncan. "Eu ainda era solteira, mas fiquei muito impactada pela história dela", conta. "Uns dois anos depois eu engravidei", lembra Cristiane, que passou os nove meses de gestação com a escolha feita.
"Mas em 1980 as pessoas não gostavam muito do nome Isadora", diz a psicóloga, que acabou aceitando mudar o nome da primogênita na última hora. "Fiquei muito tempo em trabalho de parto e a minha sogra me falando para não colocar Isadora. E ela sugeriu Isabela", explica. Para Cristiane, a mudança acabou se mostrando acertada. "Realmente não ia mesmo combinar com a minha filha mais velha, que é doce, muito zen", derrete-se.
Um ano e oito meses depois veio a segunda filha, aí sim, Isadora. "Ela tem o espírito da Isadora, um furacão branco, como a chamavam quando era criança", diz.
"Tive as duas enquanto fazia faculdade, então decidi que não queria ter mais filhos. Mas seis anos depois eu decidi engravidar novamente", contabiliza. Como já tinha duas Isa, a psicóloga decidiu que continuaria a tradição se viesse uma terceira menina. "Nunca pensei em nomes de meninos porque estava decidido que teria o nome do pai, João", relata.
"A gente pensou muito, pensou em Isaura, Isandra, mas quando alguém falou Isamara, ficou. Nunca tinha visto nenhuma Isamara na minha vida e naquela época não tinha internet", lembra. Na quarta gravidez, voltaram à cena as sugestões anteriores mas com a ideia de homenagear a sogra Ana. "Foi a primeira filha que decidi colocar meu sobrenome." Coincidência ou não, a advogada Isanna Vercesi Cruciol Zamarian é a mais apegada à mãe e a única que continua em Londrina. A arquiteta Isabela mora na Bahia, Isadora, radicada em Londres, é chef de cozinha e Isamara reside em Curitiba.
Sem poder chamar as filhas por Isa, para não causar confusão, Cristiane optou por Bela, Dora, Mamá e Zanzan. "Quando chamava pelo nome completo, elas já sabiam que era bronca", diverte-se.
As filhas mais novas também ganharam apelidos carinhosos fora de casa. "Nos chamavam de Isa e Isinha", lembra Isanna. "Não sei se gostava ou não quando era criança. Hoje eu gosto. Meu marido diz que é um nome lindo e único, e essa opinião é muito importante", explica. Para Cristiane, a forma como as filhas foram criadas formou um modelo familiar especial. "Elas se ajudam. A Isabela e Isadora são muito parceiras, tanto que as duas batizaram os filhos umas das outras. As duas mais novas, por conta da proximidade da idade, também são bem parceiras", conta.
Quando ficou grávida pela quinta vez, Cristiane ficou sabendo com antecedência que o caçula seria um menino. O nome já havia sido escolhido, mas não faltaram brincadeiras. "Apareceram várias opções que não me lembro agora. A Isabela nasceu mais morena, as outras vieram mais claras e o João nasceu muito branco. Brincamos que ele seria o Isopor", sorri.
Os netos já não carregam a tradição, mas uma coincidência marca a escolha do nome da pequena Eleonora, que mora em Londres. "A Isadora ficou entre dois nomes italianos, se fosse menino se chamaria Enzo. Depois que eu lembrei que havia uma Eleonora no livro", afirma a psicóloga.

Fotos: Marcos Zanutto e arquivo pessoal

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