O que todo pai quer é ver o filho nascer saudável e crescer cheio de energia. As preocupações com a saúde da criança surgem ainda durante a gestação e exames de ultrassom permitem identificar se há algum problema com o bebê. Logo após o nascimento os exames são imprescindíveis para diagnosticar precocemente algumas doenças.
Entre os exames fundamentais está o teste da orelhinha, que permite identificar se a criança tem algum problema de audição. De acordo com a médica otorrinolaringologista Cláudia Vaz, 30% das crianças que nascem surdas não têm história de surdez nas famílias. ''Algumas doenças durante o pré-natal podem desencadear o problema'', explica.
A médica afirma que a criança que apresenta algum sintoma diferenciado no teste da orelhinha precisa repetir a avaliação aos três ou quatro meses. ''Neste período é importante que a mãe faça acompanhamento com fonoaudióloga para estimular o bebê. Em cada etapa da vida do bebê há estímulos que podem auxiliar no desenvolvimento da audição'', orienta.
Caso o diagnóstico de surdez seja confirmado após este período, é necessário colocar o aparelho auditivo na criança. ''Existem estudos em torno da época adequada de colocar a prótese auditiva, mas sabemos que o quanto antes ela for colocada, melhor será o desenvolvimento da criança'', ressalta. Cláudia Vaz acrescenta que a audição está diretamente relacionada a uma maturação neurológica, auditiva e psicológica.
De acordo com a otorrinolaringologista, existem graus variados de surdez e a causa do aparecimento do problema pode ser multifatorial. ''Além da perda auditiva no nascimento, há outras causas para o problema no decorrer do desenvolvimento da criança. Meningite, caxumba e infecções no ouvido podem causar surdez'', alerta. Por este motivo, é importante que as mães levem as crianças para uma avaliação médica diante de qualquer suspeita.
As crianças e até mesmo os bebês dão sinais quando não estão ouvindo adequadamente. ''Os pais devem desconfiar de surdez quando os bebês não demonstram atenção aos sons que estão ao redor'', destaca. A criança que ouve normalmente esboça reações diante de um som que incomoda: ela pode piscar, chorar ou virar a cabeça para ver de onde vem o som; quando estes comportamentos não existem é preciso fazer uma avaliação.
A criança em idade escolar também apresenta comportamento diferenciado. Conforme a médica, ela geralmente tem alterações na linguagem - ''troca pato por gato, por exemplo'' - e tem dificuldade de acompanhar as aulas. Alguns exames são realizados para confirmar se a criança apresenta surdez e estes mesmos exames emitem dados que permitem a regulagem do aparelho.
Prevenindo a surdez
No decorrer da vida há vários fatores que podem provocar a perda auditiva. Uma das formas mais eficientes de prevenir esta situação nas crianças é tratando adequadamente as infecções das vias aéreas como sinusite, otite e as doenças infecciosas. ''Os pais devem ficar atentos, criança que ronca ou que dorme de boca aberta precisa ser acompanhada pelo médico'', alerta.
Na vida adulta, alguns fatores também podem resultar em problemas de audição. Traumas de ouvido, infecções, pressão alta, diabetes, labirintite, zumbido, alergias, doenças autoimunes como o reumatismo, remédios fortes, derrame e internações em UTI são as principais causas. ''Fazemos uma avaliação para identificar a causa e o grau da surdez, dá para melhorar a perda auditiva em alguns casos'', orienta.
De acordo com a médica, a surdez reduz a interação entre as pessoas, é responsável pela queda na qualidade de vida e pode levar à depressão e ao isolamento. Cláudia Vaz destaca que algumas pessoas tinham preconceito por conta dos aparelhos auditivos que eram grandes, mas atualmente há vários modelos bem pequenos e discretos que ficam escondidos atrás da orelha. ''É importante que a pessoa que tem problema auditivo use a prótese para estimular o nervo auditivo. O quanto antes o aparelho for utilizado, menores são as chances do nervo atrofiar'', alerta.

Imagem ilustrativa da imagem De olhos e ouvidos bem abertos
A criança que ouve normalmente esboça reações diante de um som que incomoda, caso contrário é preciso fazer uma avaliação