De olhos bem abertos
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quinta-feira, 13 de junho de 2002
Érika Pelegrino<br>Reportagem Local 
A dúvida é cruel. O bebê tem pouco mais de três meses, e a mãe tem que voltar a trabalhar. Quem vai cuidar dele? Sem uma avó, tia, irmã para assumir os cuidados com o bebê durante as horas em que a mãe trabalha, muitas vezes a solução encontrada pelos pais é o serviço prestado pelos berçários.
É importante lembrar que do nascimento aos 18 meses a criança vive a fase oral. Essa fase é marcada pelo prazer oral e pela necessidade de o bebê ser cuidado sempre pela mesma pessoa que seja a mãe, a avó, a empregada; mas sempre a mesma pessoa para evitar problemas de identificação (ver box).
Esse é um aspecto abordado por psicólogos, para os quais os pais devem estar atentos ao procurar um berçário. A psicóloga Cristiane Bauab salienta que para o bebê, o melhor nesta fase é ele sempre ficar com a mãe. A estruturação psíquica do bebê depende do cuidado materno, afirma.
Para a mãe que não tem opção e precisa deixar o filho em um berçário, a psicóloga orienta que gaste um tempo para escolher um local que se encaixe com as suas prioridades. Isso exige uma grande dedicação por parte dos pais. É preciso conhecer as pessoas que trabalham na instituição a ponto de conseguir estabelecer uma relação de confiança, explica Cristina.
Faixa etária Em Londrina, esse tipo de serviço cresceu bastante e há muitas opções. O Meu Chocolate, por exemplo, faz uma divisão na faixa etária. De 0 a 1 ano e 3 meses, os bebês ficam no berçário 1 e desta idade até dois anos, quando já caminham com segurança, passam para o berçário 2.
O serviço existe há 17 anos. O bebê é acolhido, segundo a diretora Maria Aparecida Martins Salomão, que é enfermeira, por uma equipe formada por psicóloga, nutricionista, pedagoga, além de duas professoras e quatro auxiliares.
Antes de o bebê começar a frequentar o berçário, a mãe passa por uma entrevista com a psicóloga, na qual são colhidos todos os dados sobre os hábitos e temperamento da criança. Para que possamos fazer o atendimento de forma que seja o mais parecido possível com a casa do bebê, explica a diretora.
Maria Aparecida afirma que atende no máximo 13 bebês no berçário 1 e 14 no berçário 2. Ela explica que o compromisso da escola é atender a criança em todos os aspectos de desenvolvimento emocional, motor, cognitivo, etc. Por isso, uma equipe multidisciplinar está à disposição.
Atendimento exclusivo A proprietária da escola PGD, Silvia Franco Góes, atende 30 bebês com idades entre 0 e 2 anos. Ela conta com nove atendentes uma para cada quatro bebês e uma a mais para crianças que por um motivo ou outro precisam, durante um período, de atendimento exclusivo. Por exemplo, aquelas que estão começando a frequentar a escola.
O trabalho é centrado na afetividade, segundo Silvia Góes. Os bebês são acompanhados constantemente, nunca ficam sozinhos, afirma. São estimulados com música, histórias. Semanalmente tem aula de musicalização. As histórias são contadas constantemente e são instrumentos importantes para desenvolver a concentração, segundo a proprietária do PGD.
Ela afirma que não conta com psicóloga na sua equipe e nem com enfermeira. Tenho muita experiência com crianças e nunca tive nenhum problema, afirma. Os cuidados médicos são tomados através de contatos constante com os pais. Qualquer mudança no comportamento da criança comunicamos imediatamente aos pais. Silvia Góes ainda conta com o apoio de uma médica, a quem recorre para algumas orientações.
Segundo Silvia, as crianças que saem do berçário para o maternal estão mais desenvolvidas na parte cognitiva e mais aptas para respeitar as regras da escola. Com um ano são apresentadas para algumas atividades com giz de cera, pincel, que são desenvolvidas de acordo com o desejo das crianças.


