De olho nos congelados
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quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Feijão novinho cozinhando lentamente, alho fritando para temperar o arroz, massa descansando para ser sovada e virar pão, um delicioso nhoque, resultado da mistura de batata, farinha e molho de tomate feito na hora. Com a rotina corrida da grande maioria das pessoas e a diminuição das famílias, essas cenas e aromas estão cada vez mais raros de acontecer.
Não que as pessoas tenham substituído esses alimentos completamente pelos sanduíches e outras oções do fast food. São os produtos congelados, prontos para consumir, que têm invadido as cozinhas e preenchido o cardápio de quem mora sozinho ou simplesmente prefere não passar horas no fogão. Com a variedade de produtos desse segmento, é possível preparar cardápios variados para qualquer ocasião: desde o simples dia-a-dia até jantares mais elaborados.
Mas será que tanta praticidade não traz junto algum ônus para o organismo? Segundo a nutricionista Elaine Cristina de Melo, certos cuidados com esse tipo de alimento são fundamentais para garantir a qualidade da comida e sua conservação correta. ''Existem várias maneiras de congelar os alimentos de acordo as condições de cada um deles. São atitudes que evitam que a comida estrague ou perca o sabor e a consistência'', diz.
Ela afirma que o ingrediente mais complicado de se levar ao freezer é o creme de leite, que perde seu sabor e textura depois do descongelamento. ''Por esse motivo não recomendo que pratos feitos com ele sejam congelados. Se não tiver outra opção, o ideal é congelar o prato sem o creme de leite e colocá-lo depois, na hora de esquentar a comida. E mesmo congelado, é a comida que menos têm validade - no máximo dois meses. É importante lembrar que o congelamento não mata os microorganismos da comida, apenas diminui ou paralisa sua proliferação. Por isso, a comida pode estragar enquanto estiver no freezer'', alerta.
Queijos mais moles, de acordo com a especialista, também perdem qualidade depois de congelados, assim como frutas, verduras e legumes. ''São alimentos que contém muita água e que perdem sua consistência quando são descongelados. Meu conselho é que eles não sejam consumidos 'in natura' depois de irem para o freezer, mas apenas para fazer tortas, bolos e outras receitas'', afirma.
O alimento que melhor se adapta ao congelador são as carnes. Elas podem permanecer no freezer por até seis meses (prazo máximo para qualquer comida) sem perder sabor e qualidade, desde que alguns cuidados sejam tomados. ''Elas precisam estar embaladas em sacos plásticos bem limpos e fechados ou nas próprias bandejas de supermercado. O importante é que a água que fica acumulada nas embalagens seja retirada antes do congelamento'', afirma.
Segundo a nutricionista, os problemas de contaminação dos alimentos não está tanto no congelamento, mas sim no descongelamento. ''Toda comida já é contaminada porque possui seus microorganismo, mas em porções que não causam danos à saúde. Quando se descongela um prato, o calor faz com que esses microorganismos se multipliquem, podendo fazer mal. O principal erro é colocá-los no sol, em bacias de água ou sobre a pia para descongelar mais rápido. Esse processo deve acontecer dentro da geladeira'', recomenda.
Outro erro comum, segundo Elaine, é recongelar alimentos. Como já foram descongelados, alguns microorganismo se multiplicaram e podem comprometer a qualidade da comida. ''Oriento as pessoas para que separem os pratos em pequenas porções, antes de congelar, para evitar que retornem depois. Quando for feita limpeza do freezer, o ideal é ter pouco alimento armazenado para poder armazenar no congelador da geladeira durante a faxina. Se descongelar, deve ser consumido em seguida'', afirma.
Para os produtos industrializados, a recomendação é seguir sempre o prazo de validade do fabricante. ''Muitas pessoas compram em grande quantidade nos mercados para congelar em casa. O congelamento estende o prazo da embalagem em no máximo 15 dias. Estocar comida por muito tempo não é recomendável'', avisa Elaine.
E até o valor nutricional dos alimentos diminui depois desse processo. A quantidade varia de acordo com cada alimento, mas as vitaminas hidrossolúveis, como a C e do complexo B, são as que mais se perdem. ''Os alimentos congelados são uma boa opção, mas é claro que o melhor ainda é a comida fresca, feita na hora'', comenta.


