De olho nos amigos
''A amizade é um propulsor para uma vida equilibrada'', afirma a psicóloga Sandra Flores, acrescentando que atitudes para melhorar a vida e torná-la mais saudável são sempre bem-vindas, principalmente num contexto em que as pessoas parecem ter desaprendido a conviver.
Na sua avaliação, quanto mais o homem sair de um contexto narcísico para se aproximar do outro, melhor ele viverá. A psicóloga afirma que hoje a amizade é mais difícil. ''Vivemos numa sociedade competitiva e, muitas vezes, essa competição está dentro da própria família'', explica. O resultado são crianças que convivem fora de casa sem o prazer de ser e ter amigos e uma epidemia de depressão e angústia.
''Antigamente as pessoas tinham mais tempo para conviver, sentar na calçada, nas praças para bater papo. Hoje há o mito do pequeno executivo, crianças vivendo com agenda e tornando-se adultos rígidos e empobrecidos afetivamente'', explica Sandra Flores.
É na presença de pais cuidadores, afetiva e emocionalmente, que a criança aprende a compartilhar e estabelecer vínculos com o mundo a sua volta. ''A ausência de pessoas comprometidas com a criança dificulta o desenvolvimento de uma personalidade saudável'', afirma a psicóloga. ''Uma pessoa não consegue dar aquilo que ela não recebe''.
O meio para essa aprendizagem é a família. Sandra Flores afirma que quando os pais estão preparados para essa função, o filho cresce seguro. ''Quando existe amizade entre os pais, as crianças fazem mais amigos e são mais sociáveis'', explica. A formação de adultos com habilidade para esse tipo de relacionamento depende de um meio familiar onde as relações sejam baseadas na amizade.
Na adolescência, a necessidade de ter amigos é ressaltada. ''O adolescente tem a personalidade em construção, fragilizada. Os amigos a fortalecem'', explica Sandra Flores. Na busca de firmar sua identidade os adolescentes afastam-se progressivamente dos pais e se voltam para os amigos.
É nos relacionamentos de amizade que os adolescentes têm a sensação de iguais, de que pertencem a um grupo no qual se espelham e reforçam sua identidade. Por isso, é muito importante cuidar dessas amizades, saber quem são esses amigos, segundo a psicóloga. ''Trazer os amigos dos filhos para dentro de casa é uma ótima forma de conhecer melhor os próprios filhos e o comportamento da adolescência'', afirma a psicóloga.
''Os pais aprendem muito com este convívio e se tornam mais acessíveis, criam um ambiente acolhedor'', acrescenta. Ela salienta também a importância do convívio com outros familiares e amigos dos pais. ''Percebemos que pais isolados podem gerar angústia nos filhos. A criança tem que sentir que a família participa de um meio social''.
Na avaliação da psicóloga, o relacionamento familiar baseado na amizade prepara a pessoa para conviver bem em sociedade e estar apta para criar vínculos de amizade. (Colaborou Érika Pelegrino)





