De olho no olhinho
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sexta-feira, 06 de fevereiro de 2009
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
O azul do mar e do céu, as cores de um jardim florido, a beleza de um rosto, as maravilhas das cidades turísticas e suas construções. A cegueira tira das pessoas várias possibilidades de encantamento, e a cada minuto uma criança fica cega no mundo. Atualmente são mais de 400 mil, a maioria nos países em desenvolvimento. O mais impressionante é que 80% desses casos poderiam ser evitados com o teste do olhinho, um procedimento simples em recém-nascidos.
Obrigatório pela lei brasileira há cerca de três anos, o exame do reflexo vermelho, como é chamado tecnicamente, é a garantia de que problemas graves da visão sejam detectados precocemente. ''Com o teste é possível perceber catarata congênita, tumores oculares e glaucoma congênito, que são doenças que podem levar à cegueira, além de estrabismo e distúrbios de grau de visão'', afirma a oftalmologista Elaine Ferraresi Sampaio.
O exame é bastante simples, feito com o uso de um oftalmoscópio direto, antes mesmo de o bebê receber alta da maternidade. ''O próprio pediatra está apto a realizar o procedimento. Basta jogar uma luz branca do aparelho no olho do bebê e observar o reflexo que se forma. Ele deve ser vermelho, como o criado quando fazemos fotografias com flash. Detectada qualquer alteração de cor, é fundamental que a criança seja encaminhada para um especialista'', aconselha.
Segundo a médica, a visão de um recém-nascido é bastante baixa, devido à imaturidade das estruturas cerebrais, e a importância de se fazer o exame o quanto antes é a possibilidade de sucesso nos tratamentos. ''Os casos de catarata, por exemplo, se tratados até os quatro meses de vida são reversíveis, na maioria das vezes. Costumo dizer que o órgão que enxerga é o cérebro, e não os olhos. Como a região cerebral está bastante imatura nos bebês, os resultados dos tratamentos são muito melhores'', garante a médica.
Cerca de 90% da visão se desenvolve até os dois anos de idade. Os outros 10% acontecem até os sete anos, quando a capacidade de enxergar está completamente formada. ''Depois dessa idade, os problemas não têm mais solução ou os resultados são muito ruins. O cérebro não reconhece mais a imagem depois de um tempo. Mesmo nos casos de problemas de visão, a detecção precoce é fundamental. Quando descobertos tardiamente, os óculos não resolvem mais'', alerta Elaine.
Nos casos de estrabismo, por exemplo, o cérebro tende a eliminar a visão do olho torto. ''O desvio é normal apenas até os seis meses de vida. Se os olhos continuarem desnivelados depois desse tempo, é preciso procurar um médico. A criança irá enxergar apenas com o olho nivelado e, depois que essa condição se estabiliza, não há mais o que fazer para recuperar a função ocular'', explica a especialista.
No entanto, a realização do teste do olhinho em recém-nascidos não elimina a possibilidade de complicações surgirem no futuro. ''Até os dois anos de idade, o recomendado é visitar o oftalmologista a cada seis meses porque as doenças ainda podem se desenvolver. Depois, até os sete anos, as consultas devem ser anuais. Principalmente filhos de mães com gravidez de risco, de partos complicados ou prematuros precisam de atenção especial por terem mais chance de desenvolver distúrbios'', alerta.
Como nem todas as crianças são submetidas ao exame do reflexo vermelho - apenas 50% dos nascidos no Brasil, a médica lembra que os pais podem fazer o teste com a máquina fotográfica. ''É preciso focar em linha reta nos olhos e disparar o flash. Se não ficar vermelho na foto, deve-se levar a criança ao oftalmologista. Mas o ideal é que o médico faça esse exame para descartar qualquer problema com segurança.''


