É muito provável que a maioria das pessoas nunca tenha ouvido falar sobre distimia. Conhecido há muito tempo pela psiquiatria, esse distúrbio é caracterizado como um transtorno de humor. Portanto, não deve ser confundido com depressão grave e, muito menos, com um quadro psicótico. ‘‘O distímico é um indíviduo que não está de bem com a vida. Sempre pessimista, ele consegue apenas tocar a vida, mas sem prazer e sem gás’’, define o médico e psicanalista Marcelo Castro.
No entanto, para que esses sintomas sejam caracterizados como distimia, não basta que a pessoa acorde, eventualmente, sem prazer para a vida. ‘‘É preciso que ela esteja se sentindo assim por um longo período’’, ressalta o psicanalista. Ele explica que esse distúrbio deve ser compreendido como o resultado de uma somatória de vários momentos da vida de um indivíduo. ‘‘A exemplo de muitos outros transtornos comportamentais, a distimia também pode estar associada a fatores hereditários e ao meio em que a pessoa viveu, principalmente nos primeiros anos de vida’’, observa.
Marcelo Castro afirma que a realidade externa tem influência sobre o estado de espírito do ser humano, mas não ao ponto de transformá-lo num distímico. ‘‘Desemprego, conflitos familiares e crise econômica afetam e causam impacto no nosso dia-a-dia, mas não chegam a alterar nossa personalidade. Se fosse assim, todo mundo seria distímico. É a realidade interna e os fantasmas que habitam o inconsciente que, realmente, causam esse e outros distúrbios de comportamento’’, informa.
Arquivo/Folha de Londrina‘‘A maioria das pessoas demora para descobrir que é distímica’’, diz o psicanalista Marcelo CastroO tratamento para a distimia, segundo o psicanalista, constitui numa avaliação feita por um profissional. ‘‘Primeiro é preciso distinguir se realmente se trata de distimia ou de um processo mais grave de depressão. Se o diagnóstico apontar para um processo distímico, a pessoa deve iniciar um tratamento terapêutico com ou sem apoio medicamentoso. De acordo com a minha experiência profissional, a grande maioria não precisa de medicamentos’’, afirma Marcelo Castro.
Para o psicanalista, o maior problema é que, geralmente, as pessoas que possuem os sintomas da distimia demoram em procurar ajuda médica. ‘‘O mais comum é que elas fiquem buscando outras causas para o mau humor, a irritabilidade, o pessimismo e a falta de prazer. Elas sempre buscam uma explicação nas causas externas e não internas’’, avalia.
Marcelo Castro ressalta que nem todo pessimista é um distímico. ‘‘O pessimismo, às vezes, funciona como uma forma de defesa. Para não se frustrar perante à vida, a pessoa antecipa uma determinada situação. Por exemplo, um homem que tem medo que a namorada o abandone acaba terminando o namoro com ela antes que isso aconteça. Assim, ele tem a ilusão de que sofrerá menos, pois a decisão partiu dele. O pessimista acredita que prevendo a desgraça, ele estará mais preparado para superá-la, caso ela venha a se concretizar’’, explica.
Se o pessimismo traz muitos transtornos à vida, o otimismo exagerado - conhecido popularmente como Síndrome de Polyana - também tem reflexos negativas. ‘‘O otimismista exagerado faz a pessoa achar que tudo é possível, que não existem riscos e nem dor, levando o indivíduo a mergulhar nas situações sem avaliar as consequências de seus atos. O ideal é a busca de um equilíbrio entre as coisas. Tudo o que é exagerado acaba atrapalhando e influenciando negativamente em nossas vidas’’, observa o psicanalista.

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