Cuidar da saúde bucal é importante em todas as fases da vida. Mas é durante a gravidez que esse cuidado deve ser redobrado. Poucas pessoas sabem que a cárie é transmissível e pode ser passada da mãe para o bebê. Assim como os microrganismos cariogênicos passam de um dente para outro, também passam de um indíviduo para outro.
O cirurgião-dentista Domingos Alvanhan, gerente de odontologia das Autarquias Municipais de Saúde, da Prefeitura Municipal de Londrina, ressalta que é preciso acabar com o tabu de que o acompanhamento odontológico durante a gestação pode trazer algum problema para o bebê. ‘‘Desde que sejam tomados os cuidados necessários, nem a mãe nem o feto correm riscos. O que acontece é que muitos profissionais não se sentem preparados para tratar da saúde bucal das gestantes’’, afirma.
Ele adverte que a cárie tem que ser tratada como um problema de saúde pública e quanto mais cedo melhor. ‘‘Se a gestante tiver uma cavidade bucal saudável, o bebê também terᒒ. Partindo desse princípio, o acompanhamento odontológico da gestante virou lei municipal em 1993. Atualmente, as futuras mamães são atendidas gratuitamente nas 32 clínicas municipais de odontologia, sendo seis na zona rural. ‘‘Quando a gestante faz o pré-natal nas unidades básicas de saúde, ela já é encaminhada para a clínica odontológica’’, esclarece Domingos Alvanhan.
Em 1996 foi realizado em Londrina o Levantamento Epidemiológico de Cárie que mostrou uma realidade animadora: todas as crianças até 12 anos que participaram da pesquisa tinham menos de três dentes perdidos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza que esse índice não seja superior a três. ‘‘Acreditamos que hoje, em Londrina, o índice seja inferior a dois dentes’’, supõe o cirurgião-dentista. Ele lembra ainda que as 32 clínicas municipais de odontologia atendem gratuitamente a gestante, a criança e o adolescente.
Amamentação Domingos Alvanhan destaca que a mãe deve se preocupar até com a saúde bucal da babá que vai cuidar do bebê. ‘‘A cárie pode ser transmitida quando o adulto experimenta a papinha ou assopra o alimento para esfriá-lo. Até através dos talheres, caso eles não sejam lavados, pode-se transmitir microrganismos cariogênicos’’, alerta.
A cirurgiã-dentista Luiza Nakama informa que assim como o fumo, o álcool e a desnutrição, uma saúde bucal comprometida durante a gestação também contribui para que a criança nasça com baixo peso. Luiza ressalta ainda que o aleitamento materno também é muito importante para o fortalecimento dos ossos da face e para o desenvolvimento adequado da arcada dentária. ‘‘O ato de sugar o peito faz com que o queixo do bebê se desenvolva naturalmente’’, esclarece.
Ela salienta ainda que a criança que mama no peito tem menos chances de ter cárie. ‘‘O contato do bebê com o açúcar se dá através da mamadeira. Por isso, eu sempre digo às futuras mamães que mamadeira e chupeta não devem fazer parte do enxoval do beb꒒, observa. Luiza Nakama acrescenta que a amamentação possibilita uma formação craniana mais harmoniosa e faz com que a criança continue respirando pelo nariz. ‘‘Ao mamar, o bebê abocanha o peito, mantendo a boca toda ocupada; com isso, ele só pode respirar pelo nariz. Já na mamadeira isso não acontece porque os cantos da boca ficam livres’’, explica.

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