De galho em galho
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quinta-feira, 26 de maio de 2005
Karla Matida<br>Reportagem Local 
O que até algum tempo atrás era uma atividade corriqueira para crianças, hoje se tornou algo excepcional. Subir em árvore? É quase impossível para os pequenos que moram em apartamentos. Quando surge a oportunidade, as carinhas não escondem um misto de felicidade, surpresa e ansiedade. Há cerca de duas semanas, alunos da 5 série do Colégio Universitário tiveram uma experiência totalmente diferente do que estão acostumados.
Longe dos livros e cadernos, mais ainda da televisão e dos ambientes fechados, a trupe de aventureiros mirins viajou até Cambé para fazer arvorismo. Esporte praticado nas alturas, até bem pouco tempo era coisa de gente grande. Faz dois meses, a garotada entre 1,30m e 1,40m de altura também pôde conferir as delícias de brincar de Tarzan, passando de uma árvore à outra.
Idealizador do projeto Escola de Aventura, o professor de Educação Física Adriano Alves pensou primeiro nos adultos em busca de treinamento empresarial, ao montar o circuito de arvorismo utilizando eucaliptos de uma estância a 13 quilômetros de Londrina. O percurso das crianças tem 150 metros de extensão para os adultos, a aventura tem meio quilômetro e, para dar conta de passar por todos os fios suspensos, leva-se cerca de 45 minutos. ''É uma atividade física 'tapeada''', explica Alves.
Primeiríssimo da turma a iniciar e terminar o percurso, José Flávio Ferrari Roehrig, 10 anos, contava para os colegas ainda na fila de espera como tinha sido a experiência. Animado, avisava que não dava medo não. ''O melhor foi a tirolesa (espécie de cadeirinha que desliza entre árvores em alturas diferentes)'', conta o garoto.
Para Luana Kohata de Almeida, a aventura ganhou nota 9. ''É que minhas mãos ficaram doendo'', explica justificando não ter dado 10, apesar de ter adorado a brincadeira. ''Iria outra vez'', garante a menina, que já conhecia o lugar por conta de uma visita com o pai.
Enquanto esperavam pela vez, os amigos João Victor Fragoso da Costa, João Vitor Tavares, Gabriel Hata e Felipe Kakizuko imaginavam mil e um jeitos diferentes de caminhar entre as árvores. ''Vai ser adrenalina pura, acho que vou descer a tirolesa de ponta cabeça'', planejava João Vitor. Para minimizar a espera, os quatro amigos passaram pelo pentatlo militar, um circuito em terra firme.
''Hoje a criançada vai da casa para a escola e da escola para casa. Aqui volta a ser criança'', explica o instrutor Adriano Alves. Além da aventura nas alturas, elas também têm, segundo Alves, noções ambientais e de geografia. ''O que aprendem na sala de aula podem ver aqui, como a terra roxa'', conta. A novidade a ser implantada nos próximos dias será o projeto Pomarizar. ''Vamos ter uma miniestufa e as crianças vão ganhar mudas de árvores, que elas vão poder plantar aqui ou levar para casa'', avisa.
Os cabos que ligam uma árvore à outra não são presos por pregos ou acessórios parecidos. ''São auto-sustentados'', explica Alves, que com ajuda da equipe monta o circuito a cada vez que ele vai ser usado. ''Dá trabalho, mas é também mais seguro saber que o material foi todo conferido'', garante. Desde que iniciou o trabalho com as escolas, o circuito de arvorismo já recebeu turmas de seis colégios diferentes.


