Após cinco anos de sua implementação, o PBL (Problem Basic Learning), que em português significa Aprendizagem Baseada em Problemas, rende muitos elogios e algumas críticas de alunos e professores do curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A UEL foi a segunda universidade do país a introduzir o PBL, depois da Faculdade de Medicina de Marília (Famema), no estado de São Paulo.
Antes de adotar o método, professores do curso de Medicina foram para o Canadá e Holanda visitar universidades que utilizavam o PBL em seus cursos; paralelamente foram realizadas reuniões com profissionais estrangeiros que ficaram aqui para sensibilização de todos. Durante três anos o método foi estudado e, desde 1998, é o currículo utilizado para formação dos alunos de medicina da UEL.
Segundo o professor de cirurgia torácica João Carlos Thomson, que participou das visitas no Canadá e Holanda, a principal vantagem desse método é ''a participação ativa do aluno no processo todo''. Isso porque o PBL elimina as aulas tradicionais, com exposição oral do professor e provas, substituídas por avaliações diárias.
Módulos A turma de 80 alunos é dividida em 10 equipes que são acompanhadas por um tutor responsável pelo trabalho de facilitador da aprendizagem. Essas equipes recebem um problema um caso simbólico de um paciente com tais sintomas ou doenças e a partir desse problema os estudantes precisam pesquisar para solucionar o caso. Para isso eles podem buscar informações em livros, internet, casos no Hospital Universitário, etc. Thomson destaca que ''através de um problema real se desperta a curiosidade do aluno, que se interessa em buscar respostas''.
Logo no primeiro ano, os alunos iniciam um programa de habilidades que vai orientar como pesquisar na internet, se portar no laboratório (biosegurança) e na biblioteca. Nos anos seguintes, essas habilidades serão direcionadas à prática da profissão, ensinando como medir pressão, aplicar injeção e coisas afins.
Internato O grande avanço do PBL é que a aprendizagem depende do aluno e o próprio aluno avalia o método. A cada aula há um avaliação dos alunos e os estudante também avaliam os tutores, o que se denomina Avaliação Formativa. Além disso, Thomson explica que ''o programa tem uma flexibilidade que o currículo padrão não tem''. Isso permitiu que o modelo passasse por pequenas alterações durante esses anos. O professor declara que nunca houve reclamação a respeito do método. ''Há pessoas que tem mais dificuldade porque o método requer mais do aluno, ele não pode ser passivo'', revela.
Entre os benefícios observados nesse tempo, o professor afirma que há uma melhor formação na relação médico-paciente e também na questão da ética da profissão. ''Estamos recebendo este ano os primeiros alunos no internato e no final deste período poderemos avaliar a mudança no comportamento desses alunos no hospital em relação aos anos anteriores'', aponta Thomson.
O PBL está se espalhando pelo País. Vários professores já estiveram em Londrina para conhecer o método. Marília, Curitiba, Ilhéus, Feira de Santana, Campo Grande, Brasília e Santa Catarina já possuem faculdades com essa metodologia. Segundo Thomson, a Faculdade Paulista de Medicina está estudando a possibilidade de implantar a Aprendizagem Baseada em Problemas como currículo. Em todo o mundo cerca de 10% das escolas de medicina adotam o PBL.
O professor conclui que no próximo ano se encerra a ''era tradicional'' na UEL e alerta: ''Não podemos cristalizar um modelo e achar que ele não precisa ser mudado. Nada é imutável''. n
Elogios e críticas
Os alunos do curso de Medicina destacam que o PBL Avaliação Baseada em Problemas está sendo bom para o curso, mas apontam algumas falhas do método. Mauro Inada, do 5º ano, declara: ''90% da aprendizagem depende do aluno e, por isso, às vezes a gente fica muito largado, faltando orientação''. Patrícia Wierzchon, do mesmo ano, expõe que o PBL não é perfeito, ''nós sofremos um pouco porque fomos a primeira turma do novo currículo. Às vezes falta o docente chegar e explicar o conteúdo''. Mas ela confirma que esse método ajuda em muita coisa, e ''a relação médico-paciente ficou melhor porque a gente vê tudo de perto, o que facilita a enxergar o paciente como um todo''.
Murillo Conde, que também está no 5º ano, comenta que as vezes o aluno acaba estudando mais do que precisa. ''Quando começamos havia pouco experiência dos docentes e funcionários. Hoje, com as nossas avaliações do PBL, os módulos estão mais direcionados''. E essa é uma grande vantagem apontada pelos estudantes, segundo Patrícia, ''tudo o que a gente foi fazendo passou por avaliação''.
Adriano Torres Antonucci, que está no 1º ano do curso, se declara um ''apaixonado pelo PBL''. Ele explica que com o PBL o aluno aprende como funciona o processo na prática, e isso facilita o aprendizado. ''Tem momentos que é mais difícil, mas isso torna você mais capacitado'', argumenta. Adriano afirma que a maioria dos alunos faz elogios ao PBL, e ''só as pessoas acostumadas a fazer apenas o que o professor recomenda é que reclamam do método''. Ele finaliza apontando um benefício do PBL: ''Você tem contato desde cedo com o paciente, logo no primeiro ano, e isso facilita o aprendizado''.
(F.B.)

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