De frente para o perigo

Ney de Souza
‘‘A minha sorte é que o quartel colabora nas escalas de trabalho‘‘, diz a policial Ernestina da Silva, mãe de Ricardo e JulianaA rotina da policial Ernestina Terra da Silva, 31 anos, de Foz de Iguaçu, mãe de dois filhos, não é muito diferente da maioria das mulheres que consegue conciliar a dupla jornada de trabalho. Mas, além de trabalhar numa área que a expõe mais ao perigo, ela tem ainda que ser dona de casa e fazer o papel de mãe e pai ao mesmo tempo.
Separada do marido, antes de ir para o trabalho, todos os dias às 7 horas, Ernestina tem que deixar a caçula Juliana, 5 anos, em uma creche. Em seguida vai para o quartel, que fica a mais de cinco quilômetros do bairro onde ela mora. Na hora do almoço, ela dá uma passadinha em casa para verificar se o filho mais velho, Ricardo, 6 anos, fez as tarefas escolares e ainda encaminhá-lo à escola. No final do expediente, Ernestina corre para a creche onde apanha Juliana para, finalmente, ir para casa e passar a noite com os filhos.
É à noite que ela pode se dedicar inteiramente às crianças, que querem toda a atenção que ela não pode dispensar durante o dia. A dedicação que elas exigem ocupa todo o tempo que Ernestina tem quando não está no 14º Batalhão da Polícia Militar. ‘‘A minha sorte é que o quartel colabora nas escalas de trabalho. Meus filhos cobram muita atenção, não adianta estar cansada, mas, mesmo assim, não me importo. Eu quero estar sempre presente na vida de meus filhos, até porque sou pai e mãe ao mesmo tempo’’, justifica.
Ela lembra que antes de ser mãe achava que conciliar o trabalho com as obrigações domésticas não era difícil. ‘‘Eu pensava que era fácil conciliar tudo, mas só quem é mãe consegue perceber o que isso significa. É muita resposabilidade. Depois que tive meus filhos é que vi que amor de mãe é diferente’’, avalia.
* Colaboraram: Karla Matida, Edna Mendes, Elisa Marilia Carneiro, Celina Alonso Az.

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